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Com novo acordo entre Netflix e Warner, risco sai do investidor e vai para o bolso do assinante

A Netflix decidiu pagar tudo em dinheiro para fechar o maior negócio da história do streaming. O valor não mudou. Mas o impacto econômico, sim.


A empresa, que já vinha negociando a compra dos estúdios e negócios de streaming da Warner Bros. Discovery há alguns meses, alterou na semana passada os termos da proposta e passou a oferecer pagamento integral em dinheiro, sem mudar o valor da negociação, de US$ 82,7 bilhões (R$ 445,7 bilhões).


Essa alteração busca dificultar a entrada de concorrentes no negócio, especialmente a Paramount, que também cobiça a Warner, dona de estúdios de cinema e televisão e de um extenso catálogo de conteúdo como Game of Thrones, Harry Potter e a franquia de super-heróis da DC Comics.


O que a Netflix fez foi oferecer US$ 27,75 (R$ 149,71) por ação da gigante do streaming, com pagamento totalmente em dinheiro. Antes, ela desembolsaria US$ 23,25 (R$ 125,43) em dinheiro e o restante seria pago em ações da própria Netflix, avaliadas em US$ 4,50 (R$ 24,28) por papel. Com a mudança, os acionistas da Warner vão deixar de receber participação na Netflix e agora terão um valor fixo por ação.


Em outras palavras, o risco para eles fica reduzido, porque isso limita o impacto de variações no preço dos papéis da Netflix entre o anúncio do negócio e a sua conclusão. Para se ter uma ideia, desde que foi anunciado o acordo com a Warner, as ações da Netflix acumulam queda de cerca de 15%.


Mas a negociação entre as gigantes enfrenta desafios, principalmente com a revisão antitruste, feita para proteger consumidores e mercados. Isso porque a compra pode criar um grande player no mercado global de streaming que supera os limites de participação de mercado que costumam ser considerados saudáveis. 


Segundo a Forbes, se a aquisição da Warner Bros for concretizada, a Netflix poderia controlar cerca de 30% do mercado apenas nos Estados Unidos. O número está próximo de um patamar em que os reguladores antitruste, como o Departamento de Justiça dos EUA, começam a se preocupar com domínio de mercado. 


No fim da cadeia, quem tende a financiar essa conta é o assinante - seja pagando mais caro, seja recebendo um serviço com menos qualidade. Eu explico: embora o consumidor possa, na teoria, gastar menos em assinaturas múltiplas se os conteúdos forem reunidos em uma só plataforma, na prática, a concentração dessa fatia de mercado pode reduzir a necessidade de competir por preços ou qualidade melhor. Quando poucas empresas dominam um mercado, tende a haver menos pressão para manter preços baixos ou melhorar serviços.


E além disso, a Netflix vai desembolsar, em dinheiro, uma quantia bilionária, o que significa que terá que sacrificar lucro e, possivelmente, subir preços ou cortar investimentos por causa da aquisição, e isso pode chegar ao bolso do assinante.


A conclusão da negociação ainda depende de algumas questões burocráticas, como as aprovações regulatórias necessárias, o aval de acionistas e o cumprimento de algumas condições usuais para esse tipo de operação. A expectativa é de que o processo seja finalizado entre seis e nove meses.


No fim, o debate não é sobre quem compra quem, mas sobre quanto custa, para o consumidor, viver em um mercado cada vez mais concentrado.


Elisa Vaz é jornalista graduada na UFPA, tem anos de experiência em cobertura política e econômica e formação em Economia pela Fipe.


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