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Como a maior rede de atacarejo de Minas vai faturar R$ 16 bilhões em 2026

Updated: Jan 12

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Mart Minas em Barreiro, Belo Horizonte: terreno terá também espaço para apartamentos, centro comercial e área de recreação (Mart Minas/Divulgação)

A maior rede de atacarejo de Minas não tem centro de distribuição. A indústria entrega direto na loja, que vira depósito e ponto de venda ao mesmo tempo.


Foi assim, com operação simples e crescimento cirúrgico, que o Mart Minas chegou a 95 lojas e agora mira um faturamento de 16 bilhões de reais até o fim de 2026.


Fundada em Divinópolis, a 100 quilômetros da capital Belo Horizonte, a rede se tornou a maior operação de atacarejo do estado, com 40% de participação de mercado, e agora começa a repetir a fórmula no Rio de Janeiro, por meio da sociedade com o Dom Atacadista.


Em Minas, a empresa acaba de ter mais sete aquisições aprovadas pelo CADE, consolidando sua liderança regional.


“Temos muito ainda pra fazer em Minas, mas estamos atentos a oportunidades. A aquisição passou a fazer sentido pra gente”, afirma Filipe Martins, diretor do Mart Minas e Dom Atacadista.


De Divinópolis para as maiores cidades de Minas: qual é a história da Mart Minas


A história começa em 2001, com a primeira loja em Divinópolis.


No ano seguinte, a expansão já alcançava a Grande BH, com a unidade em Contagem. Mas o plano de verdade estava no interior. Uberaba, Sete Lagoas e outras cidades com mais de 100.000 habitantes entraram na rota.


“Hoje estamos presentes em todas as regiões de Minas. No Triângulo, no Vale do Aço, no Jequitinhonha. Em cidades acima de 100 mil habitantes, estamos em 90% delas”, afirma Martins.


A aposta no interior tem uma lógica própria:cidades grandes o suficiente para ter demanda consistente, mas ainda carentes de oferta no modelo de atacarejo. E, claro, terrenos mais acessíveis.


O crescimento foi puxado por lojas grandes, operando sem centro de distribuição. “A indústria entrega direto na loja. Trabalhamos com estoque alto, custo operacional baixo. A loja é o CD”, diz o executivo. O modelo permite margem menor e preços mais agressivos — ponto crucial num canal onde o cliente busca economia direta.


Além disso, o grupo trabalha forte a regionalização dos produtos.


“Minas faz divisa com seis estados. Isso muda tudo: gosto, marca preferida, até o tipo de embalagem. A gente respeita muito isso. É o mesmo Mart Minas, mas com prateleira diferente em cada lugar.”


O projeto urbanístico no Barreiro


Em dezembro de 2025, a rede inaugurou seu projeto mais ambicioso: uma megaunidade no Barreiro, bairro com mais de 300 mil habitantes em Belo Horizonte.


A loja de 12.000 m² é só uma parte do plano — o terreno de 100 mil metros quadrados, antes abandonado, vai abrigar 2.500 apartamentos, um centro comercial de 10.000 metros quadrados e espaços públicos como pista de caminhada, parque infantil e anfiteatro.


“É a primeira vez que fazemos um complexo desses. Compramos uma área da Cemig que estava desativada e conseguimos aprovar o projeto. Mas não é algo que vamos replicar por padrão”, diz Martins.


O empreendimento é fruto de uma parceria com a Direcional Engenharia, que vai construir as torres residenciais.


A escolha do Barreiro não foi aleatória: “É o maior bairro de Belo Horizonte. Tem densidade populacional e carência de serviços. A localização favorece muito”, afirma.


Além do comércio e da moradia, o projeto prevê obras viárias e melhorias de mobilidade. A rede implantou a nova Rua Carlos Pimentel com drenagem, iluminação e pavimentação. “É um tipo de entrega que valoriza o entorno. Não é só uma loja.”


Mesmo com o porte do projeto, Martins reforça que o modelo tradicional da rede segue firme: foco em cidades estratégicas, operação simples e rápida. “O Barreiro é um caso especial. Achar uma área assim dentro da cidade é raro.”


A entrada no Rio e o plano de aquisições


Fora de Minas, o grupo atua no Rio de Janeirodesde 2022, quando comprou 50% do Dom Atacadista, então com apenas oito lojas. Hoje, são 24 unidades e quase 18% de participação de mercado no estado.


“O Rio é uma praça difícil, mas tinha a menor participação de atacarejo do Brasil. Vimos nisso uma oportunidade”, diz Martins.


O Dom segue como sociedade, com o fundador original como sócio-operador.

Em dezembro de 2025, o grupo deu um novo passo ao ter aprovado pelo CADE a aquisição de mais sete lojas do Apoio Mineiro, localizadas em Betim, Belo Horizonte, Santa Luzia e Sete Lagoas. Outras unidades já haviam sido incorporadas ao longo do ano, somando 12 lojas.


“É a primeira vez que fazemos esse movimento em Minas. Sempre compramos terreno, crescemos organicamente. Agora, com as aprovações do CADE, abrimos uma nova frente”, afirma.


A operação com o Grupo Multi Formato, dono da marca Apoio Mineiro, marca a entrada formal do Mart Minas na fase de crescimento por consolidação, movimento cada vez mais comum entre grandes redes regionais.


Desafios econômicos e crescimento em ano difícil


Apesar do avanço, 2025 foi um ano mais apertado para o setor. “A inflação não foi um problema, mas a Selic pesou. Nos últimos três meses do ano, teve até deflação em algumas commodities. Caiu o preço do óleo, do açúcar... Isso mexe com a dinâmica do canal”, diz Martins.


Mesmo com esse cenário, a rede cresceu — não só em receita, mas em participação. “Foi um ano duro, mas ganhamos mercado. E não só em faturamento.”


O atacarejo, segundo ele, mantém sua relevância em momentos de aperto no bolso. “É o canal de compra mais competitivo do setor alimentar. Quando a renda aperta, o consumidor busca economia. E a gente tem que estar preparado.”


O grupo também aposta em ferramentas para fidelização, como o Clube Mart Mais e o Meu Dom, que juntos somam mais de 5 milhões de clientes cadastrados, além de cartão de crédito próprio com condições diferenciadas.


Conteúdo publicado originalmente no site Exame

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