Cooperativismo financeiro: o que é, o que não é e por que impacta o desenvolvimento local
- Cleomar Abreu
- 12 hours ago
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O cooperativismo financeiro costuma ser comparado ao sistema bancário tradicional. Embora atuem no mesmo sistema regulatório, cooperativas e bancos operam com modelos distintos de relacionamento, governança e impacto econômico e social, especialmente no âmbito local.
Em uma cooperativa financeira, quem utiliza os serviços não é apenas cliente. É associado e coproprietário da instituição. Isso significa que decisões, resultados e riscos são compartilhados, criando uma relação baseada em responsabilidade coletiva e visão de longo prazo.
Essa característica altera a lógica do negócio financeiro.
Enquanto o modelo tradicional tende a priorizar a maximização do retorno ao capital, o cooperativismo busca equilíbrio entre resultado econômico, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, com forte conexão com a realidade da região onde atua.
O que diferencia as cooperativas
No modelo cooperativista:
Os recursos captados permanecem na própria região;
As decisões são mais próximas da economia local e das pessoas;
O relacionamento substitui a lógica puramente transacional;
O crescimento econômico é acompanhado de impacto social, por meio de inclusão financeira, educação e fortalecimento das comunidades;
Esse formato favorece relações duradouras e maior alinhamento entre instituição, associados e sociedade.
O que o cooperativismo financeiro não é
Cooperativas financeiras não são bancos “menores” ou informais. Também não operam com menos rigor. Pelo contrário: são instituições altamente reguladas, com estruturas de governança e controles compatíveis com o sistema financeiro nacional.
A diferença não está no nível de exigência, mas no propósito do modelo.
Impacto econômico mensurável
Os efeitos do cooperativismo financeiro podem ser observados nos indicadores econômicos dos municípios onde está presente.
Estudo conduzido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), a partir da comparação entre cidades brasileiras com e sem cooperativas de crédito, identificou impactos relevantes e consistentes.
De acordo com a pesquisa:
O PIB per capita nos municípios com cooperativas de crédito é, em média, 5,6% maior;
A geração de empregos formais cresce 6,2% acima da média;
O número de empresas formais é 15,7% superior em relação a cidades sem cooperativas.
Em termos agregados, o estudo estima que, em um único ano, o cooperativismo de crédito adicionou cerca de R$ 48 bilhões à economia brasileira O , além da criação aproximada de 70 mil empresas e 278 mil postos de trabalho.
Esses números refletem não apenas eficiência econômica, mas a capacidade do modelo cooperativista de articular crescimento com inclusão e fortalecimento social.
Relevância para Belém e o Pará
Em regiões como Belém e o Pará, onde o desenvolvimento econômico depende da retenção de renda e do fortalecimento de iniciativas locais, o cooperativismo financeiro atua como agente de circulação de capital e apoio ao empreendedorismo.
Ao aproximar decisões financeiras da realidade regional, o modelo contribui para uma economia mais equilibrada, resiliente e conectada às necessidades da comunidade.
O cooperativismo financeiro não se resume a produtos ou taxas. Trata-se de um modelo que aproxima decisões da realidade local, fortalece a economia regional e estimula relações financeiras mais responsáveis e duradouras. Em um cenário de transformações constantes no sistema financeiro, compreender esse modelo é fundamental para escolhas mais conscientes — tanto individuais quanto coletivas.
No próximo artigo, abordamos a origem do cooperativismo financeiro e por que esse modelo continua atual.



