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O dinheiro na saúde não some. O problema é que ele demora uma vida pra chegar

dinheiro na saúde

Quem olha de fora jura que a conta fecha fácil: o paciente paga o boleto do plano, o plano repassa pro hospital, o hospital paga o médico. No papel é lindo. É linear. Só que na vida real, o buraco é bem mais embaixo.


O que rola nos bastidores é uma engrenagem cheia de travas. Tem glosa, auditoria, negociação que não acaba mais... mas o jogo real, aquele que ninguém fala na mesa de reunião, é um só: quem consegue sentar em cima do caixa por mais tempo. E adivinha? Quem paga o pato dessa conta — tanto financeira quanto emocional — quase sempre é quem tá na ponta: o profissional de saúde.


Não tô falando de teoria. Falo porque vi e vejo essa novela acontecer na minha frente. A ideia aqui é tirar uma foto sem filtro do sistema. Sem papo furado. Quero mostrar como essa cadeia funciona de verdade, por que a bomba estoura na mão do médico e como dá pra usar estruturas financeiras (tipo FIDC) pra virar esse jogo, desde que seja feito direito.


A real sobre a cadeia: Onde o tempo vira prejuízo

Na prática, quem manda no ritmo do dinheiro é o plano de saúde. E não é por maldade, é modelo de negócio:

  1. Prazos esticados: O contrato já nasce longo. O padrão é 60, 90 dias pra pagar. Se tiver discussão de glosa então, esquece.

  2. A "pedalada" técnica: A glosa e a auditoria são processos técnicos, claro. Mas funcionam maravilhosamente bem pra segurar o caixa. O dinheiro volta pro final da fila até alguém analisar de novo.

  3. A força da caneta: O plano tem o sistema, a regra e o jurídico. O prestador tem conta de luz, insumo e equipe pra pagar. A corda arrebenta onde?


O hospital acaba virando um amortecedor. Ele recebe lá na frente, mas a folha de pagamento vence dia 5. Se o hospital não tiver um caixa robusto, ele simplesmente empurra o atraso pra frente. E quem tá lá no final da linha? O médico. Aí cria-se uma distorção bizarra: o médico financia o sistema sem perceber. Você trabalha hoje, mas recebe como se tivesse emprestado seu tempo e seu dinheiro a juro zero por 90 dias.


Nem todo "dinheiro a receber" é igual

Quando a gente fala de recebíveis na saúde, parece tudo a mesma coisa, mas não é. Tem camadas aí.

Tem o clássico, que é o hospital cobrando o plano. É o feijão com arroz: faturou, auditou, espera cair. Mas tem também o recebível do médico contra o hospital (ou contra uma empresa de repasse). Aqui o buraco é outro. O médico não recebe do plano, recebe de quem contratou ele. O risco muda.

E tem o caos da pulverização. O médico que atende em dez lugares, com dez regras diferentes, prazos diferentes e riscos diferentes. Isso transforma o controle financeiro num inferno. Entender essa diferença é crucial. Se você consegue rastrear e validar a origem do dinheiro, dá pra financiar. Se for caixa preta, é aposta.


Antecipar não é luxo, é oxigênio

Vamos parar com essa ideia de que antecipar recebível é sinal de desespero. Na saúde, muitas vezes é a única forma de parar de pé. O hospital antecipa pra não atrasar salário. O médico antecipa pra ter vida — pagar imposto, escola dos filhos, investir na carreira.


Ninguém merece viver refém do calendário de pagamento dos outros.


O problema é a pegadinha. O mercado tá cheio de crédito ruim disfarçado de solução. A pergunta não deve ser "antecipo ou não?". A pergunta é: "quanto me custa isso e qual a transparência do processo?". Se for caro e opaco, vira um imposto invisível sobre o seu trabalho.


FIDC sem "economês"

Tirando a sopa de letrinhas, o FIDC (Fundo de Investimento de Direito Creditório) é basicamente uma estrutura pra dar liquidez com governança. É um motor que compra esses direitos de receber e te paga hoje, com um custo que costuma ser melhor que o do banco, porque tem lastro real.

Mas não existe mágica. FIDC só para de pé se tiver qualidade na origem.

Um recebível só vira dinheiro na mão se a gente conseguir responder: Quem paga? Por que paga? Tem contrato? Qual o histórico de calote ou glosa desse pagador? É aqui que a tecnologia separa os profissionais dos amadores. Sem conciliação automática e trilha de auditoria, antecipar é dar tiro no escuro. Com tecnologia, vira uma operação previsível e segura.


Resumo da ópera

Não dá pra ficar esperando o sistema mudar e passar a pagar em 15 dias. Isso não vai acontecer. A tendência é o contrário: o meio de campo financeiro da saúde vai ter que se profissionalizar.

Quem conseguir organizar dados, provar que o dinheiro existe e criar governança, vai conseguir transformar esse atraso eterno num problema gerenciável. O atraso não é um acidente de percurso, ele faz parte da estrutura do negócio. Entender isso é o primeiro passo pra parar de perder dinheiro.


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