A Nova Economia da Saúde: por que estou aqui — e por que talvez você volte
- Jonathan Sarraf
- Jan 12
- 2 min read
Eu já vi de tudo nesses anos trabalhando com médicos.
Já vi colega vender carro para conseguir fazer residência ou até desistir de fazer residência porquê não se planejou para reduzir seus ganhos durante o período. Já vi clínica que tinha tudo para dar certo quebrar simplesmente porque não sabia lidar com fluxo de caixa. Já vi gente brilhante, excelente tecnicamente, passar noites sem dormir porque o hospital atrasou três meses de pagamento.
Eu mesmo já fui — sem nenhum orgulho ou vergonha em dizer — o médico que ganhava bem, mas não tinha ideia de como o dinheiro realmente funcionava na saúde. Só descobri da pior forma possível.
Se você é médico, gestor, investidor ou alguém curioso sobre o que acontece por trás da porta giratória dos hospitais, talvez alguma dessas cenas te soe familiar.
Eu sou Jonathan Sarraf. Médico, empreendedor… e alguém que acabou se especializando na interseção entre saúde, finanças e tecnologia quase por acidente. Não porque eu sonhava em trabalhar com isso, mas porque a realidade do mercado simplesmente me empurrou nessa direção.
Quando comecei a gerir equipes com centenas de médicos, uma ficha caiu com força: a maneira como o dinheiro circula na saúde influencia tanto a vida do médico quanto a forma como ele cuida dos pacientes. E a verdade é que quase ninguém fala sobre isso. Quase ninguém ensina. Quase ninguém explica onde estão os incentivos, os atrasos, os gargalos, as oportunidades — e o impacto disso tudo na vida real de quem está lá na ponta.
Foi tentando resolver essa dor que a Portí, startup que hoje sou CEO nasceu e que tem por missão descomplicar a vida de quem salva vidas, médicos. E foi dessa trajetória, cheia de acertos, erros e aprendizados, que veio o convite — e a vontade — de escrever esta coluna.
Não quero ser “mais um” comentando negócios ou repetindo frases prontas sobre gestão e inovação. Quero conversar com você de forma direta sobre:
Como funciona, de verdade, o fluxo financeiro da saúde.
Por que tantos médicos perdem dinheiro — e como isso pode mudar.
O que a tecnologia está transformando nos bastidores, muitas vezes sem ninguém notar.
E como tudo isso mexe com a rotina de hospitais, clínicas, investidores, pacientes e profissionais.
Quero falar de mercado, mas também de vida. Dar profundidade sem complicar. E, às vezes, te contar histórias que vivi — ou testemunhei — e que me fizeram entender que saúde e dinheiro nunca foram dois mundos separados.
Aqui na coluna, você vai encontrar dois tipos de textos:
Textos leves e pessoais, com bastidores, histórias e reflexões de quem vive o mercado por dentro.
Textos mais técnicos, para quem quer se aprofundar em temas como FIDCs, repasses, atrasos dos planos, inadimplência, modelos de remuneração e o futuro da tecnologia na saúde.
Meu compromisso é simples: te entregar clareza sobre um sistema que todos nós vivemos, mas quase ninguém entende completamente.
Se você chegou até aqui, obrigado. Se alguma parte desse texto fez sentido para você, te convido a voltar para o próximo. Aos poucos, vamos desmontar essa máquina — peça por peça — até que tudo comece a fazer mais sentido.



