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Reforma Tributária pode reduzir fôlego financeiro de médias empresas em recuperação judicial

A implementação do chamado “split payment” na reforma tributária acende um alerta para médias empresas em recuperação judicial. O novo modelo antecipa o recolhimento de tributos e pode comprometer o fluxo de caixa justamente no momento em que a empresa mais precisa de liquidez para se reorganizar.


A transição da reforma tributária traz mudanças relevantes na forma de arrecadação de impostos. Entre elas está o mecanismo conhecido como split payment, que determina que o valor correspondente ao tributo seja separado automaticamente no momento da liquidação da operação comercial.


Na prática, isso significa que a empresa deixa de receber o valor bruto da venda para, depois, recolher o imposto. O tributo já é direcionado ao Fisco antes mesmo de o dinheiro passar pelo caixa da companhia.


Para empresas saudáveis, a mudança exige adaptação operacional. Já para médias empresas em recuperação judicial, o impacto pode ser mais sensível. Esse tipo de negócio normalmente trabalha com margens apertadas e depende de cada ciclo financeiro para manter salários, fornecedores e compromissos assumidos no plano de recuperação.


O modelo atual permite algum intervalo entre o recebimento da receita e o pagamento do tributo, o que ajuda na administração do capital de giro. Com o split payment, essa margem praticamente desaparece. O caixa fica mais comprimido, mesmo que a carga tributária total não aumente.


Essa dinâmica pode dificultar o cumprimento de planos de recuperação, pressionar negociações com credores e aumentar a necessidade de financiamento adicional.


Para o empresário, o ponto central não é apenas tributário, é financeiro e estratégico.


1. Capital de giro passa a ser prioridade absoluta. Se parte da receita não entra mais no caixa, a empresa precisa recalcular sua necessidade de liquidez operacional.


2. Planos de recuperação judicial devem ser revisados. Projeções feitas antes da implementação efetiva do split payment podem não refletir a nova realidade. Ajustes preventivos evitam descumprimento do plano e riscos jurídicos.


3. Contratos com fornecedores e financiadores precisam ser reavaliados. Prazos, garantias e cronogramas de pagamento devem considerar a redução do fluxo disponível.


4. Estruturas societárias e patrimoniais ganham ainda mais relevância. Holdings bem organizadas, governança financeira sólida e segregação patrimonial ajudam a proteger ativos estratégicos enquanto a operação atravessa o período de ajuste.


5. Crédito estruturado pode se tornar inevitável. Empresas em recuperação podem precisar recorrer a financiamento específico para sustentar a operação, o que exige planejamento jurídico e negociação cuidadosa.


O empresário que antecipar cenários e reorganizar sua estrutura financeira terá vantagem competitiva mesmo em ambiente de maior rigidez fiscal.


A reforma tributária não altera apenas alíquotas; ela transforma a dinâmica de caixa das empresas. Para médias companhias em recuperação judicial, planejamento financeiro, revisão contratual e governança estratégica deixam de ser opcionais e passam a ser questão de sobrevivência.

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