Empresa desiste de investir R$ 1,2 bilhão no Pará após invasão em terminal em Santarém
- Redação
- 22 hours ago
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Um projeto avaliado em US$ 250 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão), originalmente planejado para o cultivo de cacau na região oeste do Pará, foi transferido para o Equador pela multinacional Cargill. A informação foi revelada pelo jornalista Élio Gaspari em um artigo publicado nos veículos O Globo e Folha de S.Paulo.
De acordo com o colunista, a decisão da empresa foi motivada por bloqueios e invasões ao terminal da companhia em Santarém, ocorridos durante protestos contra o Decreto 12.600, sancionado pelo governo federal em agosto de 2023.
O contexto
O decreto incorporou trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins ao Plano Nacional de Desestatização, permitindo a realização de estudos que avaliem a possível concessão de serviços, como dragagem e manutenção de hidrovias.
Conforme informações do artigo, comunidades indígenas e seus apoiadores se posicionaram contrariamente à medida, apontando riscos ao meio ambiente e denunciando uma suposta tentativa de “venda dos rios”. Críticos também destacaram como preocupante a dispensa de licenciamento ambiental para a realização dos estudos, fator que intensificou os conflitos na região.
Gaspari ainda ressaltou que o processo de dragagem do Rio Tapajós pode agitar sedimentos contaminados por mercúrio devido à atuação do garimpo ilegal, agravando os potenciais impactos ambientais.
Bloqueios e invasão
Os protestos ganharam força no início de 2024, resultando em bloqueios de acesso ao terminal da Cargill em Santarém. Em fevereiro, o Tribunal Regional Federal emitiu uma decisão ordenando o fim das interdições, mas as manifestações persistiram.
Na madrugada de 21 de fevereiro, manifestantes invadiram as instalações do terminal da empresa. Conforme relato disponível, 42 funcionários buscaram refúgio em salas trancadas por aproximadamente três horas. Pouco depois, em 23 de fevereiro, o governo federal decidiu revogar o decreto em questão.
Projeto segue para o Equador
Segundo informações divulgadas, apesar da medida governamental, a empresa optou por redirecionar o investimento planejado para o Equador, justificando a mudança devido à "exposição à insegurança jurídica" ocasionada pelas ocorrências em Santarém.
O plano original contemplava o financiamento do cultivo de cacau, incluindo áreas de pastagens degradadas, o que poderia gerar significativa oferta de empregos na região. Com operações em vários países e consolidada como uma das maiores comercializadoras de grãos do mundo, a Cargill exportou aproximadamente 6 milhões de toneladas a partir do terminal de Santarém somente em 2021.
Até o momento, a empresa não se pronunciou oficialmente para detalhar a decisão mencionada no comunicado.



