Empresa portuguesa investe alto na Margem Equatorial e afirma que o Brasil possui o 'filé mignon dos petróleos'

A petroleira portuguesa Galp enxerga seus negócios no Brasil, focados no pré-sal, como o principal destaque de seus projetos no setor, segundo Paula Pereira da Silva, gerente de operações da empresa no país. Após investir US$ 8 bilhões nos últimos 25 anos, a empresa tem conseguido gerar 70% de seu fluxo de caixa no Brasil, com uma produção em crescimento.
A Galp ainda vê potencial no país — realizou investimentos em blocos na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas e planeja destinar US$ 1,5 bilhão ao Brasil até 2030 — mas enfrenta desafios. A exploração de quatro blocos na Bacia de Barreirinhas, também na Margem Equatorial, está suspensa devido à falta de licenciamento ambiental. Paula destaca que novas regras para áreas menos atrativas poderiam aumentar as oportunidades no país.
Apesar disso, a qualidade, a eficiência operacional e as baixas emissões de carbono se destacam ainda mais devido ao conflito no Irã, afirmou João Marques da Silva, co-CEO global e vice-presidente comercial da empresa petrolífera, que veio ao Rio para participar da ROG.e (anteriormente conhecida como Rio Oil & Gas), o maior evento do setor no Brasil.
A seguir, os pontos principais da entrevista, publicados pelo site O Globo:
A Galp está nos projetos do pré-sal desde o início. Como avalia os investimentos?
Paula: Olhamos com muito otimismo, não só porque o Brasil, historicamente, tem reunido os ingredientes de estabilidade fiscal, estabilidade regulatória e estabilidade jurídica, que são fundamentais para trazer alguma previsibilidade e preservar a competitividade da geografia, mas porque realmente acreditamos no potencial geológico do país, que é comprovado.
É preciso buscar novas reservas fora do pré-sal?
Paula: A Galp também precisa repor essas reservas. No Brasil, com o ritmo de produção que há hoje, as reservas provadas servem pouco mais do que uma década. O Brasil necessita repor essas reservas também. Incentivamos muito a que se promovam condições, até em termos fiscais, que sejam favoráveis a campos marginais, pois não se espera uma nova descoberta como o pré-sal.
Melhores regras para campos menos produtivos ajudariam?
Paula: Angola dá-nos um bom exemplo nesse sentido. O Brasil deve, na nossa opinião, começar já a olhar precisamente para incentivos para desenvolver esses campos marginais.
E a Margem Equatorial?
Paula: Ilustra o grande potencial do Brasil. Na última rodada de licitação da ANP, no ano passado, adquirimos mais três blocos na Bacia de Pelotas, igualmente muito promissora, do ponto de vista geológico. Na Margem Equatorial, temos quatro blocos em (Bacia de) Barreirinhas, que estão suspensos neste momento pela questão do licenciamento ambiental. É algo que vemos como uma decisão que o país deve tomar com uma perspectiva mais estratégica.
Esses quatro blocos estão esperando licenciamento?
Paula: Sim. Estamos em parceria com a Shell e com a Petrobras ali. São blocos que vemos com muita atenção. A nossa vontade é crescer também na Margem Equatorial, além desses blocos.
Qual o foco no Brasil?
Paula: A Galp tem uma disciplina de capital muito rigorosa. É algo que nos distingue das outras empresas grandes. Temos quase um filé-mignon no portfólio, ele realmente é muito rico. São ativos de classe mundial. É isso que a Galp preserva muito. O direcionamento que nós temos para manter essa disciplina de capital é olhar para ativos realmente de alta qualidade. O Brasil tem demonstrado que tem a capacidade de entregar exatamente esses ativos.
Há planos de investir no Brasil em outras áreas?
João: Olhamos para as (energias) renováveis no Brasil, tivemos equipes a trabalhar, mas, em determinada altura, achamos que não deveria ser o nosso foco e focamos na Península Ibérica.
O quanto as tensões geopolíticas afetam os investimentos da Galp?
João: É notório o apetite para determinadas geografias nesta altura. Nós, felizmente, temos uma exposição muito baixa, praticamente nula, ao Médio Oriente.
O Brasil fica mais atrativo com as tensões geopolíticas?
João: Por várias razões. Há uma razão muito importante de segurança de abastecimento, mas também há razões muito importantes do ponto de vista até de transição energética. As emissões típicas da nossa exploração no Brasil são metade da referência no universo de exploração. Portanto, do ponto de vista de competitividade, também nessa lógica das emissões, aquilo que fazemos no Brasil é altamente benéfico para o portfólio.









