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Fortaleza ganha o primeiro prédio torcido do Brasil; unidades custam acima de R$ 9,5 milhões

Com 115 metros e 30 andares, empreendimento corporativo combina engenharia de alta precisão e unidades de R$ 9,5 milhões


primeiro prédio torcido do Brasil
Torre de 30 andares terá arquitetura inédita no mercado brasileiro. Foto: reprodução

Fortaleza está erguendo um prédio que rompe com a lógica das torres retangulares, e já dá para ver o efeito ganhando forma no canteiro de obras. A cada pavimento, a estrutura do HB Square nasce com um deslocamento milimétrico em relação ao andar de baixo, um giro que, repetido ao longo de 30 andares, faz o edifício parecer torcido da base à cobertura. Será o primeiro prédio torcido do Brasil, segundo a construtora responsável, título que alguns veículos ampliam para América Latina ou América do Sul, mas que, de qualquer ângulo, coloca a capital cearense num tipo de arquitetura reservada hoje a poucas cidades no mundo.


O empreendimento fica no cruzamento da Avenida Desembargador Moreira com a Rua Maria Tomásia, na Aldeota, e é assinado pela BTB Engenharia, com projeto arquitetônico de Daniel Arruda. Terá 115 metros de altura e 30 pavimentos corporativos, o que já garante a ele o posto de edifício comercial mais alto de Fortaleza quando a obra terminar, prevista para setembro de 2027. A estrutura já saiu do papel: registros recentes da obra mostram o giro característico do projeto aparecendo pavimento a pavimento, à medida que a torre sobe.


Cada laje é erguida com um pequeno deslocamento angular em relação à anterior, processo que exige verificação geométrica contínua ao longo de toda a obra, bem diferente da repetição de andares idênticos de um prédio convencional. “Cada pavimento exige um deslocamento milimétrico em relação ao anterior”, explica Ricardo Ary Filho, engenheiro civil e sócio-diretor da BTB Engenharia, referindo-se à precisão estrutural exigida pelo projeto. Um núcleo central rígido concentra elevadores, nove ao todo, sete deles de alta performance, além das escadas, enquanto os pilares periféricos se inclinam progressivamente para acompanhar a rotação. O método eleva o custo da obra em cerca de 15% frente a um edifício convencional de mesmo porte.


O modelo comercial também foge do padrão. As 30 lajes corporativas, de 410 metros quadrados cada e sem particionamento, são vendidas dentro de um condomínio fechado, no qual os próprios compradores das unidades funcionam como uma espécie de consórcio financiador da obra, ainda em andamento. Cada laje custa, em média, R$ 9,5 milhões, e a expectativa é vender a maior parte das unidades antes da entrega.


Torção estrutural não é exatamente novidade fora do Brasil. Em Dubai, a Cayan Tower tem 75 andares que giram 1,2 grau a cada pavimento até completar 90 graus de rotação total, com investimento que passou de US$ 1 bilhão. O HB Square segue a mesma lógica de engenharia em escala menor, e enquanto os andares continuam subindo na Aldeota, o canteiro de obras já funciona como vitrine de um tipo de arquitetura até aqui reservada a poucos points do planeta.


Fonte: Paraíba Business

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