O Pix deixou de ser apenas brasileiro? Sistema começa expansão fora do país
- Redação

- há 6 minutos
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O Pix, sistema de pagamentos que em poucos anos se tornou parte da rotina financeira dos brasileiros, começa a ganhar uma nova função fora do país. Turistas já conseguem usar a ferramenta para pagar compras presenciais em estabelecimentos de oito mercados internacionais (Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Estados Unidos, Portugal, Espanha e França) em um movimento que amplia a presença do meio de pagamento brasileiro e testa seu potencial como alternativa aos cartões tradicionais.
Apesar da expansão, o Banco Central reforça que não existe um “Pix internacional” oficial. O que ocorre, na prática, é uma integração entre instituições brasileiras, empresas de pagamentos e parceiros locais, que fazem a conversão cambial e a liquidação da operação antes que o comerciante receba o valor em sua moeda.
A experiência para o consumidor, no entanto, é semelhante à já conhecida no Brasil. No momento da compra, o estabelecimento gera um QR Code na máquina de pagamento e o cliente faz a leitura pelo aplicativo do banco ou fintech brasileira. Antes da confirmação, o sistema apresenta o valor convertido em reais, incluindo custos e taxas da operação. Após a autenticação, o pagamento é processado e o comerciante recebe o valor na moeda local.
A expansão internacional do Pix acompanha uma mudança no comportamento dos consumidores, explica Edson Vasconcelos, fundador e CEO do EcommIT. “Ao longo dos últimos anos, o sistema deixou de ser apenas uma alternativa ao dinheiro e passou a ocupar espaço em diferentes frentes do mercado financeiro, de pagamentos instantâneos a soluções para empresas. Agora, o desafio é transformar essa familiaridade doméstica em uma vantagem também para brasileiros que viajam ou consomem fora do país”, diz.
Um dos principais atrativos está no custo, em compras internacionais feitas com cartão de crédito costumam envolver cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), além de conversão cambial baseada em critérios das instituições financeiras. Nas soluções que utilizam o Pix como meio de pagamento internacional, a estrutura de câmbio pode ser diferente e, dependendo do parceiro envolvido, resultar em uma operação mais competitiva para o consumidor.
A modalidade também reduz uma das antigas fricções das viagens internacionais: a necessidade de carregar dinheiro em espécie ou antecipar a compra de moeda estrangeira. Com o celular em mãos, o turista consegue realizar o pagamento usando a infraestrutura financeira que já utiliza no Brasil.
A disponibilidade, porém, ainda depende de acordos comerciais e tecnológicos. No Chile, soluções de pagamento com Pix são oferecidas por empresas como a PagBrasil em parceria com adquirentes locais. Na Argentina, instituições como o Banco do Brasil trabalham com parceiros do país para ampliar a aceitação. Outros mercados contam com integrações envolvendo empresas de pagamentos e plataformas especializadas em câmbio.
O avanço também chama atenção pelo potencial estratégico. Para empresas estrangeiras, aceitar Pix pode ser uma forma de reduzir barreiras para receber turistas brasileiros, um público relevante em diversos destinos internacionais. Para o ecossistema financeiro brasileiro, representa uma oportunidade de levar uma tecnologia criada no país para além das fronteiras.
Ainda sem dados consolidados divulgados pelo Banco Central sobre pagamentos presenciais feitos via Pix no exterior, empresas do setor indicam crescimento da demanda. “Depois de transformar os pagamentos dentro do Brasil, o sistema começa a disputar espaço em um mercado dominado historicamente por bandeiras internacionais de cartão e redes globais de pagamento. O próximo passo será saber se a conveniência que conquistou milhões de brasileiros também será suficiente para ganhar escala fora do país”, finaliza.
EcommIT
Com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro, a EcommIT atua na interseção entre tecnologia, regulação e eficiência operacional, apoiando empresas da indústria de pagamentos em um ambiente marcado por alta complexidade e transformação constante. A companhia desenvolve soluções e serviços de consultoria voltados a desafios críticos do setor, como gestão regulatória, processos contábeis, conciliação financeira, simulações e prevenção a fraudes. Sua atuação atende diferentes players do ecossistema, incluindo credenciadoras, processadoras e emissoras de cartões, instituições financeiras, fintechs, facilitadores de pagamento, empresas de intermediação de serviços e cooperativas de crédito.





