O próximo grande passo da Starlink é se tornar uma operadora de telefonia móvel

A SpaceX firmou um acordo estratégico para adquirir um portfólio nacional de espectro de banda baixa nos Estados Unidos, colocando-se como um forte competidor das tradicionais gigantes de telefonia móvel do país. Esse movimento visa transformar a subsidiária Starlink, sua rede de internet via satélite, em um player relevante no mercado de telefonia móvel norte-americano.
Como reflexo, as ações de grandes empresas de telecomunicações registraram quedas significativas. A T-Mobile US sofreu um recuo de quase 11%, enquanto a AT&T e a Verizon tiveram baixas superiores a 7%. No Brasil, o impacto também foi sentido na B3, com ações de operadoras como Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) apresentando as maiores desvalorizações do Ibovespa em um dia de alta para o mercado local. Vivo fechou em queda de 5,25% (R$ 30,35), enquanto TIM caiu 4,18% (R$ 18,10).
Esse avanço da SpaceX nos Estados Unidos reacendeu debates relevantes no setor de telecomunicações brasileiro: seria possível que a companhia de Elon Musk replicasse seu modelo de negócio em telefonia móvel no Brasil?
De acordo com o UBS BB, ainda não há uma resposta concreta para essa questão. O relatório indica sinais claros de que a SpaceX está expandindo suas iniciativas de conectividade móvel no Brasil por meio da Starlink. No entanto, não há evidências definitivas de que a empresa esteja movendo-se para operar como uma fornecedora completa de telefonia móvel, semelhante ao modelo atualmente em desenvolvimento nos Estados Unidos.
Para o UBS BB, o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse contexto, por ser um dos maiores mercados da Starlink no mundo, com alta relevância global. Caso a estratégia americana seja ampliada internacionalmente, o Brasil surge como um dos destinos naturais para essa expansão.
Nos Estados Unidos
O UBS BB destaca que compreender o plano da SpaceX nos EUA é essencial para prever os próximos passos no Brasil. O recente investimento no espectro de 800 MHz não é um movimento isolado; ele faz parte de uma estratégia mais ampla que inclui uma constelação de satélites para conectividade móvel, capacidades de comunicação D2D (direto entre satélite e celular), aquisições pendentes de espectro da EchoStar e autorizações regulatórias para a evolução da rede Starlink Mobile.
O espectro de baixa frequência é crucial para melhorar a cobertura e atender às limitações da conectividade exclusivamente via satélite, especialmente em áreas urbanas densas e ambientes internos. Os analistas observam que a atenção nos EUA está voltada para o desenvolvimento de uma plataforma mais integrada, unificando satélites, espectro terrestre e futura infraestrutura própria.
No Brasil
Embora o mercado brasileiro conte com algumas peças dessa estratégia global, outras estão ausentes. A constelação da Starlink já opera no país e existem iniciativas relacionadas à comunicação móvel via satélite, incluindo capacidades D2D e o uso do espectro. No entanto, ainda faltam elementos essenciais: espectro terrestre de baixa frequência, espectros médios e altos para capacidade de rede, infraestrutura terrestre e um modelo integrado de operadora móvel.
A faixa de 850 MHz no Brasil é apontada pelo UBS BB como regulatoriamente relevante, por ter características semelhantes ao espectro de 800 MHz adquirido pela SpaceX nos EUA. Segundo o banco, não há barreiras regulatórias explícitas que impeçam a empresa de participar de futuros leilões promovidos pela Anatel, desde que os requisitos sejam atendidos. Isso poderia permitir à SpaceX adquirir espectro sem depender das operadoras locais como Vivo, TIM ou Claro.
Apesar disso, a conquista do espectro de 850 MHz seria apenas parte do desafio. Diferente do mercado norte-americano, onde há uma estratégia simultânea envolvendo múltiplas faixas de espectro, o Brasil carece de um portfólio robusto em frequências médias e altas para complementar a operação.
Em relação à possibilidade de que a SpaceX já esteja trabalhando na oferta de serviços móveis no Brasil, o relatório do UBS BB indica evidências sólidas de que a empresa está focada na expansão da conectividade móvel no país através da Starlink. Todos os olhos estão voltados para os desdobramentos dessa movimentação estratégica.









