Pará deve receber R$ 73,3 bilhões em investimentos em mineração
- Redação

- 29 de jun.
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O Pará, segundo maior produtor mineral do Brasil, ficando atrás apenas de Minas Gerais, deve atrair investimentos de US$ 14,66 bilhões (aproximadamente R$ 73,3 bilhões) no setor entre 2026 e 2030. De acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), esses recursos representam pouco mais de 19% do total previsto para o setor em todo o país nesse período. Apesar de não haver projeções de desempenho específicas para o ano atual, em 2025 o estado foi responsável por mais de um terço da receita nacional de mineração. Das receitas totais de R$ 298,8 bilhões geradas pelo setor, R$ 103,1 bilhões vieram das mineradoras que operam no Pará.
O Estado do Pará se destaca no setor mineral, abrigando a maior mina de minério de ferro a céu aberto do mundo, a Serra dos Carajás. Além disso, é um dos principais polos exportadores de minerais do Brasil, sendo responsável, nos últimos três anos, por cerca de 36,5% das exportações nacionais. Atualmente, quase metade dos municípios paraenses possui alguma atividade de mineração. No entanto, operar na região amazônica apresenta desafios significativos, como gargalos logísticos, regulamentações ambientais rigorosas e a necessidade de investimentos substanciais em tecnologias avançadas, soluções ambientalmente sustentáveis e iniciativas de descarbonização.
Seguindo por esse caminho, a Mineração Rio do Norte (MRN) pretende investir R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão para conectar suas operações ao Sistema Interligado Nacional (SIN), garantindo acesso a energia limpa. Segundo Guido Germani, CEO da MRN, a meta é reduzir a pegada de carbono da empresa em 21% até 2027. Líder na produção de bauxita e importante produtora de alumina e alumínio no Brasil, a MRN também destinou R$ 51 milhões em 2022 para projetos socioambientais.
Visando sustentar sua operação pelos próximos 15 anos, com uma produção anual de 12,5 milhões de toneladas de bauxita, Germani destacou que a empresa deve investir R$ 9 bilhões até 2041, além de R$ 1,9 bilhão reservados até 2026. Somente no ano passado, foram aplicados R$ 810,9 milhões em segurança, eficiência energética, infraestrutura e sustentabilidade — um aumento de 54,7% em relação a 2024. Embora tenha uma capacidade instalada de até 18 milhões de toneladas/ano, a MRN busca manter sua produção atual, com possibilidade de expansão conforme a demanda.
Outro gigante do setor, a Vale também tem planos ambiciosos para suas operações no Pará. A empresa pretende dobrar sua produção anual de cobre para atingir 700 mil toneladas até 2035 e expandir sua produção de níquel de 175 mil para mais de 300 mil toneladas no mesmo período. Segundo Carlos Medeiros, vice-presidente executivo de operações da mineradora, o crescimento será alicerçado na rica disponibilidade mineral da região de Carajás. O capital planejado para esse avanço deverá crescer dos atuais US$ 5,4 bilhões - US$ 5,7 bilhões para mais de US$ 6 bilhões nos próximos anos. Adicionalmente, entre 2025 e 2030, a Vale investirá R$ 70 bilhões para dar suporte à produção de minério de ferro e ampliar as operações de cobre.
A emblemática mina da Vale em Carajás opera desde 1985, com uma produção anual de aproximadamente 170 milhões de toneladas de minério de ferro. O complexo S11D, localizado em Canaã dos Carajás, sozinho chega a produzir até 90 milhões de toneladas/ano. Na frente ambiental, Medeiros salienta o avanço da estratégia de mineração circular da empresa no último ano. Nesse modelo, houve um aumento significativo na reutilização de rejeitos e resíduos para gerar mais de 26 milhões de toneladas adicionais de minério de ferro. Essa abordagem sustentável visa transformar subprodutos em novos materiais, reduzindo assim o uso de barragens e estabelecendo a meta de alcançar 10% da produção por vias circulares até 2030.
A Alcoa também está atuando na redução do impacto ambiental em suas operações no Brasil, especialmente em Juruti, no oeste do Pará. Entre os projetos em desenvolvimento está a substituição dos geradores a diesel por sistemas elétricos sustentáveis. Segundo Daniel Bueno, diretor de operações da Alcoa em Juruti, essa modernização será possível com a construção de uma nova linha de transmissão elétrica pela Equatorial Energia, conectando a mina e o Porto de Juruti ao Sistema Interligado Nacional. Esse projeto poderá reduzir as emissões de gases de efeito estufa da empresa em até 50% até 2030.
Além disso, em logística, a Alcoa está investindo cerca de R$ 1 bilhão em uma frota própria composta por quatro navios para transportar bauxita do porto até a refinaria da Alumar no Maranhão. Para levar o minério até o Porto de Juruti, a empresa depende atualmente de uma ferrovia com extensão de 55 quilômetros. Bueno enfatiza que "a logística desempenha um papel fundamental", destacando a necessidade de integração eficiente entre mina, porto e transporte fluvial.





