top of page
NEGOCIOS-A-PARTE-SEGUNDA-TEMPORADA-.gif

Startup de inteligência artificial avaliada em US$ 48 bi abre operação no Brasil

há 36 minutos
4 min de leitura

A Cognition, empresa de inteligência artificial responsável pelo agente de engenharia de software Devin, decidiu transformar em operação local uma presença que já vinha construindo silenciosamente entre algumas das maiores companhias brasileiras.


A startup abriu um escritório em São Paulo, seu primeiro na América Latina, depois de conquistar mais de dez grandes clientes no Brasil sem manter até então uma estrutura formal no país. Entre eles estão Nubank, Itaú, B3, Santander, Natura, iFood e Mercado Livre.


A expansão brasileira acontece em um momento de forte capitalização da companhia. Em setembro, a Cognition anunciou uma rodada Série E superior a US$ 2 bilhões, que avaliou o negócio em US$ 48 bilhões.


A empresa também informou que sua receita anualizada em ritmo corrente passou de US$ 492 milhões em maio para quase US$ 900 milhões poucos meses depois.


Brasil ganhou espaço antes mesmo do escritório

A presença da Cognition no país começou antes da abertura da operação local.


Segundo Guilherme Grupenmacher, head de Estratégia e Operações da companhia para a América Latina, em entrevista ao Startups, o Nubank tornou-se o primeiro cliente enterprise da história da Cognition depois que um executivo de tecnologia do banco entrou em contato com a empresa ainda na fase inicial de desenvolvimento do Devin.


Outras grandes empresas brasileiras entraram posteriormente para a carteira. O avanço criou um problema operacional: atender clientes de grande porte à distância passou a exigir cada vez mais presença física.


No caso de Itaú e Santander, a Cognition chegou a deslocar engenheiros dos Estados Unidos regularmente para o Brasil. A conclusão da empresa foi que vender agentes de IA para grandes corporações exige mais do que disponibilizar licenças de software.


“A gente precisa de uma presença local, não só comercial, mas principalmente um hub de engenharia”, afirmou Grupenmacher ao Startups.


Modelo coloca engenheiros dentro das grandes empresas

A estratégia brasileira será apoiada por dois perfis de profissionais.


Os account directors ficam responsáveis pela relação comercial, enquanto os chamados forward deployed engineers trabalham próximos aos times dos clientes para adaptar a tecnologia, integrar sistemas e ampliar a adoção do Devin dentro das organizações.


Quatro desses engenheiros já atuam no Brasil. A expectativa é que o escritório de São Paulo tenha aproximadamente dez profissionais até o final de 2026, embora a velocidade das contratações deva acompanhar a entrada de novos clientes.


O formato mostra uma característica importante da disputa pela inteligência artificial corporativa. Para grandes empresas, especialmente bancos e indústrias com sistemas construídos ao longo de décadas, a implantação de agentes de IA não ocorre necessariamente como a contratação convencional de um software na nuvem.


A Cognition aposta justamente em manter engenheiros próximos às operações para que o Devin seja incorporado aos processos internos e às bases de código existentes.


Bancos são a porta de entrada, mas mercado é maior

O setor financeiro aparece como um dos principais pontos de entrada da Cognition no Brasil. Nubank, Itaú e Santander já estão entre os clientes citados pela companhia, enquanto a B3 também integra a carteira brasileira.


Mas a estratégia não termina nos bancos.


A empresa pretende ampliar sua presença em varejo e indústria e considera, em uma etapa posterior, avançar também sobre organizações governamentais.


A tese da Cognition é que uma parcela importante das oportunidades para agentes de programação está justamente nas organizações que acumulam grandes sistemas legados e extensas bases de código.


Isso coloca empresas tradicionais no centro de um mercado que, até recentemente, parecia concentrado nas próprias startups de tecnologia.


US$ 2 bilhões reforçam disputa pela IA para programação

A abertura da operação brasileira também ocorre depois de uma das maiores rodadas recentes entre empresas privadas de inteligência artificial.


A Cognition captou mais de US$ 2 bilhões em uma Série E liderada por Andreessen Horowitz e Accel, com participação de investidores que já estavam no capital da companhia, como Founders Fund, General Catalyst e Avenir.


Com o investimento, a empresa atingiu uma avaliação de US$ 48 bilhões. A rodada anterior, realizada em maio, havia avaliado a Cognition em US$ 26 bilhões.


Além da valorização, a empresa informou uma aceleração relevante dos negócios. A receita anualizada em ritmo corrente aumentou de US$ 492 milhões para quase US$ 900 milhões entre as duas rodadas.


Fora do Brasil, o Devin já é utilizado em organizações como Nvidia, GE Aerospace, Citi e Mercedes-Benz.


São Paulo vira base para expansão latino-americana

O escritório paulistano é o primeiro espaço físico da Cognition na América Latina, mas a companhia já prepara movimentos em outros mercados da região.


Segundo Grupenmacher, há processos de contratação comercial no México e engenheiros atuando na Argentina e no Chile.


A escolha do Brasil como principal base regional combina tamanho de mercado com uma carteira de clientes que já existia antes da instalação do escritório.


O Santander exemplifica esse potencial. Embora o acordo global com a Cognition tenha sido fechado na Espanha, a operação brasileira já concentra mais usuários do Devin dentro do banco do que a Europa, segundo o executivo.


Desafio agora é transformar grandes contratos em escala

A instalação de uma equipe no Brasil muda a fase da Cognition no país.


Até agora, a companhia conseguiu conquistar algumas das maiores empresas brasileiras mesmo sem uma operação local estruturada. Com vendedores e engenheiros em São Paulo, o objetivo passa a ser transformar esses primeiros contratos em uma estratégia de expansão mais previsível.


O desafio será fazer isso sem perder justamente uma das características que ajudaram a empresa a entrar nas grandes contas: o atendimento intensivo e a presença de engenheiros trabalhando próximos aos clientes.


Ao mesmo tempo, a disputa está ficando mais concorrida. Ferramentas especializadas em programação com IA, como Replit, dividem espaço com plataformas desenvolvidas pelas próprias fabricantes de modelos, incluindo OpenAI e Anthropic.


A Cognition tenta se diferenciar concentrando seus esforços em engenharia de software e grandes empresas. Com mais de US$ 2 bilhões recém-captados e algumas das principais companhias brasileiras já na carteira, o escritório de São Paulo será o primeiro grande teste para saber se esse modelo pode ganhar escala na América Latina.


Fontes: Cognition, Startups e Reuters.

bottom of page