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Conheça o projeto que incentiva empreendedorismo agroalimentar no Pará

11 de jan. de 2024
3 min de leitura

Um total de 43 marcas baseadas na agricultura familiar já foram criadas no município


Agricultores familiares foram beneficiados com ações para desenvolvimento de marcas, embalagens e comercialização de produtos. Foto: Chico Atanásio

A agricultura familiar é responsável por uma gama diversa de produtos que faz parte da alimentação das populações amazônidas, gera renda e ajuda a proteger a biodiversidade. Apesar da importância desse segmento, principalmente no contexto em que se busca a expansão da bioeconomia, os agricultores familiares ainda enfrentam dificuldades para acessar novos mercados. No município de Barcarena, na região metropolitana de Belém, o projeto Tipitix oferece novas perspectivas para o desenvolvimento desses negócios em comunidades rurais.


A iniciativa é realizada pelo Fundo de Sustentabilidade Hydro e Fundação Mitsui Bussan do Brasil, com execução do Instituto Peabiru, uma organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) que há mais de 20 anos atua pelo fomento ao protagonismo e a garantia de direitos dos grupos sociais da Amazônia.


Com esse propósito em mente, em uma das ações foi observado que a produção de alimentos como mandioca, macaxeira, açaí, cacau e outros já tinha um papel importante na dinâmica das comunidades, porém grande parte era direcionada para consumo próprio ou vendida no comércio local. A partir de 2021, o projeto que é caracterizado como uma iniciativa de empreendedorismo agroalimentar comunitário surgiu como uma oportunidade para fortalecer essa atividade e a autonomia dos agricultores.


Entre eles está Sandra Malcher, de 51 anos, que já mantinha uma pequena roça onde cultivava mandioca e uma produção artesanal de maniva pré-cozida. A participação no Tipitix permitiu não apenas que Sandra desenvolvesse sua embalagem e marca – a Maniva Guajará –, como conquistasse o selo de inspeção sanitária, que atesta a qualidade e a possibilidade de comercialização em redes de varejo e até para fora do estado.


“Foi uma ajuda e tanto. Eu pude adquirir minha embalagem, já recebemos demanda de outros estados, como Santa Catarina, pude comprar a minha seladora e, assim, posso pesar, selar e congelar aqui mesmo. Para o futuro, eu penso em poder ter uma minifábrica e envolver outras pessoas”, conta Sandra, que mantém a produção com a maniva da própria roça e a adquirida de outras três famílias da comunidade Guajará da Serraria.


O desenvolvimento desses negócios ocorre porque o projeto oferece oficinas e capacitações, ajuda no estabelecimento de canais de venda e no fortalecimento das cadeias produtivas, além de contar com uma unidade de beneficiamento que atende a demanda de diferentes produtos. Atualmente, são 43 empreendimentos agroalimentares de 21 comunidades atendidas e mais de 30 produtos lançados.


A maniva produzida por Sandra Malcher já conquista mercados dentro e fora do Pará, Foto: Chico Atanásio

“As comunidades tradicionais de Barcarena tinham uma presença limitada em produtos beneficiados localmente. Contudo, graças ao Tipitix, observamos um significativo avanço na autonomia da cidade, marcando o início da construção de uma base sólida através da produção de itens locais. Este empreendimento não apenas fortalece a economia local, mas também eleva o protagonismo das comunidades tradicionais, impulsionando um ciclo positivo de desenvolvimento sustentável”, explica a gerente do projeto, Renata Ataíde.


Aproveitando a diversidade produtiva e a criatividade dos empreendedores, o projeto montou um portfólio rico que inclui farinhas, doces, geleias, castanhas, chocolates, pães, sorvete, pimentas, condimentos e outros alimentos que evidenciam a importância de práticas econômicas baseadas na aliança com a natureza.


Tipitix aposta na riqueza da produção agroalimentar tradicional. Foto: Chico Atanásio

Renata Ataíde diz que os resultados até então são positivos e que agora a meta é reforçar a promoção da autonomia de gestão com a participação direta da comunidade, além de alcançar a autossuficiência financeira do projeto.


“O objetivo é consolidar um grupo gestor composto por diversas lideranças comunitárias, capaz de dar continuidade às atividades de maneira independente e sustentável após o encerramento do projeto. Essa abordagem não apenas fortalece a capacidade gerencial dos envolvidos, mas também assegura a continuidade do impacto positivo do Tipitix na comunidade de Barcarena”, ressalta a gerente.


Para conhecer mais sobre as marcas e como adquirir os produtos dos agricultores familiares de Barcarena, clique aqui.


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