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Data center em Belém seguirá rigor ambiental e não causará risco ao abastecimento de energia, diz Elea

há 49 minutos
3 min de leitura
CEO da Elea Alessandro Lombardi
CEO da Elea, Alessandro Lombardi - Foto: Reprodução

A Elea Data Centers afirma que seguirá à risca os procedimentos de licenciamento ambiental de seu data center em Belém (PA) e sustenta que o empreendimento não comprometerá o fornecimento de energia aos consumidores locais. 


Em entrevista à agência eixos, o CEO da companhia, Alessandro Lombardi, defende uma cobrança ambiental mais rigorosa no contexto amazônico e afirmou que a instalação utilizará energia renovável, sem captar água do rio para refrigeração.


Com investimento inicial previsto de R$ 250 milhões, capacidade de 7,5 megawatts (MW) e potencial para chegar ate 100 MW, o empreendimento chamado de BEL1 ainda está em fase de projeto, design e estudos.


O início do licenciamento ambiental só ocorrerá após a conclusão dos estudos, prevista para os próximos meses, segundo a empresa, com o objetivo de implantar o empreendimento no fim de 2028.


“A gente vai seguir à risca o processamento de todo o licenciamento ambiental que vai ser necessário”, afirma Lombardi.


A defesa ocorre diante de questionamentos sobre os impactos ambientais e a participação das comunidades na discussão da BEL1, previsto para uma área próxima à subestação Miramar, na zona portuária.


A localização será em um terreno que pertence à Axia, entre o Terminal Petroquímico de Miramar e o bairro residencial de Barreiro.


O Ministério Público do Estado do Pará instaurou um inquérito civil para apurar a legalidade da implantação e os possíveis efeitos sobre comunidades da região, e preocupações com a criação de ilhas de calor e geração de ruídos.


“Comunidades tradicionais residentes nas ilhas próximas, ribeirinhos e pescadores, já vulnerabilizados economicamente por condições históricas, estarão suscetíveis a impactos negativos decorrentes das atividades do empreendimento”, alertou o promotor de Justiça Márcio Maués, em julho, durante abertura do inquérito.


Segundo a Elea, o time jurídico da empresa está em diálogo com o Ministério Público para esclarecer os questionamentos e sanar dúvidas sobre o projeto.


O executivo compreende que a cobrança ambiental em Belém, considerando o contexto amazônico, “deve ser mais rigorosa do que em regiões tipicamente industriais, como Campinas e o ABC Paulista”, onde a companhia possui um data center em operação em São Bernardo do Campo. 


A companhia distingue a instalação inicial de 7,5 MW do potencial de 100 MW disponível na rede. Esse volume maior não corresponde à capacidade que será implantada de imediato. 

Seu aproveitamento dependerá da demanda, da contratação de clientes e do licenciamento correspondente.


E mesmo a capacidade inicial será implantada em fases. Segundo a empresa, o avanço dependerá da chegada de investimentos âncoras para viabilizar o projeto e dos equipamentos necessários à construção do data center. 


Lombardi também minimiza o impacto do projeto sobre o consumo local de energia, comparando o data center de 7,5 MW ao consumo de um shopping.


“O data center de 7,5 MW consume menos energia de um shopping center de médio porte. O impacto ambiental está na construção civil do prédio”.


“Tem que ter toda uma série de cuidados no Brasil para construir esse tipo de infraestrutura, mas não é um consumidor agressivo de energia, não vai usar água nenhuma para resfriamento, não vai ter ilha de calor a partir desse tipo de data center”, garante Lombardi. 


A Elea assinou um contrato de compra de energia (PPA) com a Axia, com fornecimento 100% renovável. A companhia também assegura que não utilizará água no processo de resfriamento dos equipamentos.


Infraestrutura para a digitalização do Norte

Lombardi apresenta o BEL1 como uma infraestrutura para ampliar a capacidade local de processamento e armazenamento de dados e apoiar o desenvolvimento tecnológico do Pará. 

Segundo ele, o empreendimento atenderá à demanda regional de instituições públicas, empresas e provedores de internet.


Na avaliação do executivo, a presença de um data center local pode dar suporte ao ecossistema de inovação e reduzir a dependência de instalações distantes. 


Ele cita a Universidade Federal do Pará e os provedores de internet da região como exemplos de organizações que poderiam se beneficiar dessa infraestrutura, que tem o potencial de “reduzir a desigualdade digital”.


O executivo disse, no entanto, que ainda não há contratos assinados com possíveis clientes, mas que existe interesse de instituições públicas e empresas.

Empresa reconhece falha no diálogo


Lombardi reconhece que a Elea subestimou a necessidade de conversar com a comunidade antes do anúncio. 


Segundo ele, os contatos iniciais foram feitos com o governo estadual e a prefeitura.


“Eu entendo que é 100% correto essa cobrança da comunidade. E é o que a gente está fazendo agora, porque a obra não começou. A gente está conversando com a comunidade”.


Moradores da ocupação Miramar Chalon relataram ao jornal Tapajós de Fato que souberam do empreendimento pela imprensa e não receberam explicações prévias da empresa ou do poder público. 


Eles cobram informações sobre os possíveis impactos e benefícios em uma região que ainda enfrenta problemas de infraestrutura e serviços básicos.


Fonte: Eixos

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