Deca vai fechar fábrica de Pernambuco e transferir operação para outro estado; veja onde

A fábrica de louças sanitárias em Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana de Recife, que era responsável por centralizar a produção da Deca no Nordeste, está programada para encerrar suas atividades. O Conselho de Administração da Dexco, empresa proprietária da marca Deca, decidiu pelo fechamento nesta segunda-feira, dia 19. A decisão surge pouco mais de um ano após o fechamento da unidade da companhia em João Pessoa, Paraíba, cujas operações haviam sido transferidas para Pernambuco. Parte da produção dessa unidade será redirecionada para Jundiaí, localizada no interior de São Paulo.
Com uma produção anual de 2,8 milhões de peças em um espaço industrial de 30 mil metros quadrados, a fábrica pernambucana foi adquirida pela Duratex — antigo nome da Dexco — em 2008. Atualmente, ela é responsável pela fabricação de louças das marcas Deca e Belize, como vasos sanitários e pias. Em julho de 2025, essa unidade passou a concentrar toda a produção de louças da companhia na região, que agora será descontinuada.
O fechamento marca uma reversão significativa na estratégia da Dexco para atender o Nordeste a partir de Pernambuco. A empresa, que atua nos setores de louças, metais e revestimentos cerâmicos, optou por uma reestruturação que envolve o enxugamento operacional. Apesar disso, o comunicado oficial fornecido ao mercado não indica o número exato de empregos afetados nem especifica a data de encerramento das operações ou os custos envolvidos na desativação da fábrica. A Dexco prometeu apoio aos trabalhadores demitidos por meio de benefícios adicionais e ajuda na recolocação profissional. Os contratos firmados com fornecedores serão tratados individualmente, conforme os termos estabelecidos.
Apesar da mudança estrutural, as ações da Dexco registraram aumento na Bolsa de Valores. Na manhã do anúncio, os papéis da empresa apresentavam alta de 2,28%, sendo negociados por R$ 7,61. A organização possui dois blocos principais de controle acionário: um grupo liderado pela Itaúsa e pelas famílias Setubal e Villela, com 40,8% do capital, e outro sob comando da família Seibel, com participação de 20,4%.
A unidade de Jundiaí não absorverá toda a produção antes realizada em Pernambuco. Apenas alguns itens do portfólio seguirão para São Paulo, enquanto o comunicado oficial não oferece detalhes sobre quais produtos serão descontinuados ou esclarece a proporção exata do remanejamento.
De acordo com a Dexco, a decisão faz parte de uma reestruturação do segmento de louças com foco em consolidar as produções em áreas onde a marca Deca consegue se destacar no mercado e agregar maior valor aos negócios. Entretanto, ainda não foram especificadas as linhas de produtos prioritárias nesse processo. Nos últimos anos, a empresa realizou investimentos significativos em Jundiaí visando automação, tecnologia e modernização industrial, embora sem divulgar informações financeiras precisas.
É importante lembrar que esta não é a primeira vez que a empresa encerra operações no Nordeste. Segundo matéria do jornal Valor Econômico, em julho de 2025 foi anunciado o fechamento da unidade em João Pessoa como parte de uma estratégia para otimizar recursos e aumentar o retorno sobre os ativos. A produção foi então transferida para Cabo de Santo Agostinho sem alteração no portfólio oferecido. À época do fechamento na Paraíba, a fábrica possuía capacidade produtiva de 2 milhões de peças anuais em um espaço de 30 mil metros quadrados.
Os impactos financeiros do primeiro encerramento foram registrados no terceiro trimestre do mesmo ano como baixas e provisões classificadas como não recorrentes — ou seja, despesas extraordinárias que não influenciam nas operações diárias da empresa. Durante o mesmo período, a Dexco informou uma suspensão temporária das linhas de produção no Sul do país para ajustá-las à demanda do mercado.
Com essas mudanças estratégicas e realocações produtivas, a Dexco busca manter sua competitividade e efetuar uma reorganização dentro dos segmentos mais rentáveis, enquanto enfrenta os desafios econômicos decorrentes das decisões tomadas.









