Empresas podem estar deixando milhões com o governo, e a reforma tributária pode fechar essa janela
- Luiz Alberto Solheiro

- 12 de mar.
- 2 min de leitura

Com a chegada da fase de transição da Reforma Tributária, especialistas alertam que empresas precisam revisar imediatamente seus tributos. Valores pagos indevidamente nos últimos anos podem ser recuperados, mas a mudança nas regras pode dificultar ou até impedir esse processo no futuro.
A proximidade da nova estrutura tributária no Brasil está provocando uma corrida silenciosa nas empresas: revisar impostos pagos nos últimos anos. O motivo é simples, muitos negócios pagaram tributos a mais sem perceber, e esses valores podem ser recuperados antes da mudança definitiva das regras.
Um levantamento citado na reportagem indica que mais de 6.100 empresas brasileiras deixaram cerca de R$ 10,5 bilhões nos cofres públicos nos últimos cinco anos, por não revisarem corretamente suas obrigações fiscais. Em média, cada empresa deixou de recuperar aproximadamente R$ 1,71 milhão.
Com a reforma entrando em fase de transição, o cenário exige atenção redobrada. Durante esse período, o sistema atual e o novo modelo tributário vão coexistir, o que tende a tornar mais complexa a apuração e compensação de créditos fiscais.
Outro fator que acelera essa movimentação é a possibilidade de negociar créditos de ICMS acumulados, especialmente em estados como São Paulo. Programas como o ProAtivo permitem que empresas transfiram esses créditos para terceiros, liberando recursos que antes ficavam parados no sistema tributário.
Especialistas recomendam três etapas principais para quem deseja recuperar esses valores:
Auditoria tributária dos últimos cinco anos para identificar pagamentos indevidos.
Pedido de compensação ou restituição junto à Receita Federal ou secretarias estaduais.
Acompanhamento constante da legislação, já que as regras da reforma ainda estão sendo implementadas.
Para empresários, essa notícia revela um ponto crítico: créditos tributários também são ativos financeiros da empresa. Na prática, isso significa que muitos negócios estão deixando dinheiro parado com o governo simplesmente por falta de revisão fiscal estruturada.
Alguns pontos estratégicos que merecem atenção:
Caixa escondido na contabilidade:
Tributos pagos a maior podem representar milhões em recuperação. Em momentos de juros altos e crédito caro, isso pode significar capital para investimento ou redução de dívidas.
Reforma tributária muda o jogo:
Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e IPI por novos modelos (CBS e IBS), parte das regras de compensação pode mudar. Quem não organizar seus créditos antes pode perder oportunidades.
Governança fiscal vira vantagem competitiva:
Empresas que fazem revisão tributária periódica conseguem reduzir carga fiscal, melhorar fluxo de caixa e evitar riscos de autuação.
Oportunidade de planejamento estratégico:
Esse é o momento ideal para revisar não apenas impostos, mas também estrutura societária, contratos, holdings e planejamento tributário para o novo cenário da reforma.
A reforma tributária não será apenas uma mudança de impostos, ela vai exigir gestão tributária mais estratégica. Empresas que revisarem sua situação fiscal agora podem recuperar recursos importantes e entrar no novo sistema com mais segurança jurídica e financeira.



