Reforma tributária acende alerta: mais de 90% das empresas ainda precisam avançar na preparação

A reforma tributária já começa a exigir mudanças concretas dentro das empresas, mas o nível de preparação ainda é baixo. Levantamento da ASIS Tax Tech indica que somente 9,2% das organizações avaliadas alcançaram um estágio avançado de maturidade fiscal, no qual tecnologia, dados e inteligência são utilizados para antecipar riscos e apoiar decisões.
A adaptação ao novo ambiente tributário brasileiro vai muito além da atualização de sistemas ou da alteração de procedimentos fiscais. Para empresas que pretendem atravessar a transição com segurança, será necessário integrar informações tributárias às decisões financeiras, comerciais e estratégicas.
A pesquisa apresentada pela ASIS Tax Tech aponta justamente uma distância relevante entre essa realidade e o estágio atual das organizações.
Segundo o levantamento, 21,5% das empresas ainda atuam de maneira predominantemente reativa, concentrando esforços na solução de problemas depois que eles surgem. Outros 69,3% já possuem processos mais organizados, mas ainda não utilizam plenamente as informações fiscais como instrumento de inteligência para o negócio. Apenas 9,2% chegaram ao nível mais avançado de maturidade.
O estudo foi realizado durante o Fórum de Gestão Fiscal e Tributária, promovido pela Live University | Confeb em São Paulo, em agosto de 2026, reunindo profissionais das áreas tributária, fiscal, jurídica, financeira e de tecnologia.
Outro dado relevante é a diferença de percepção entre os níveis hierárquicos. Entre os coordenadores participantes, 30% avaliaram suas estruturas como reativas. Entre os gerentes, o percentual caiu para 16,7%. O resultado sugere que a percepção da liderança nem sempre coincide com as dificuldades enfrentadas por quem acompanha a operação diariamente.
Também existem diferenças importantes entre os setores. O varejo apareceu em posição relativamente mais avançada, com 12,5% das empresas no maior nível de maturidade fiscal. Na indústria, por outro lado, 25,2% das organizações ainda foram classificadas no estágio reativo.
Para empresários, esses números devem ser interpretados como um alerta de gestão.
A reforma tributária não é apenas um tema do departamento contábil. Mudanças na tributação podem alterar preços, margens, fluxo de caixa, contratos, estrutura societária, fornecedores e até a viabilidade de determinadas operações.
Por isso, a empresa que deixar a adaptação para a última hora corre o risco de descobrir seus problemas somente quando eles já estiverem afetando o caixa.
Há pelo menos cinco frentes que merecem atenção desde já:
Contratos: cláusulas de preço, reajuste, repasse de tributos e responsabilidades entre as partes precisam ser avaliadas diante do novo sistema.
Planejamento tributário: operações, regimes e estruturas existentes devem ser simulados para identificar impactos futuros sobre carga tributária e fluxo financeiro.
Governança: jurídico, contabilidade, financeiro, tecnologia e direção precisam trabalhar de forma integrada. Reforma tributária não pode permanecer isolada em um único departamento.
Estrutura societária e holdings: reorganizações patrimoniais ou empresariais devem considerar não apenas economia fiscal, mas proteção patrimonial, sucessão, governança e sustentabilidade jurídica.
Dados e tecnologia: empresas capazes de simular cenários e acompanhar indicadores terão mais condições de ajustar preços, contratos e investimentos antes que o impacto apareça no resultado.
Existe ainda outro ponto estratégico: a reforma pode modificar a competitividade entre empresas do mesmo setor. Duas organizações com faturamento semelhante podem apresentar resultados muito diferentes dependendo da qualidade dos seus contratos, processos fiscais, estrutura operacional e capacidade de aproveitar créditos tributários.
Portanto, preparação não significa apenas estar em conformidade com a legislação. Significa entender antecipadamente como as novas regras afetam a rentabilidade do negócio e quais decisões precisam ser tomadas antes da concorrência.
A reforma tributária tende a separar empresas que apenas reagem às mudanças daquelas que conseguem antecipá-las.
Para o empresário, o momento é de diagnóstico, simulação e revisão das estruturas jurídicas, tributárias e financeiras. Segurança jurídica e planejamento estratégico deixam de ser apenas mecanismos de proteção e passam a ser fatores diretamente ligados à competitividade e à preservação do patrimônio.






