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Carros elétricos e condomínios: estamos preparados?

Os veículos elétricos já fazem parte do nosso cotidiano. Modelos da BYD, GWM, Tesla, Geely, Volvo e BMW circulam com naturalidade pelas cidades brasileiras. A transição energética está em curso.

 

Mas a pergunta essencial é: os condomínios estão preparados para essa nova demanda?

 

Na maioria dos casos, não.

 

Instalar um carregador não significa apenas “puxar uma tomada” da unidade. A energia percorre um sistema coletivo: padrão de entrada, centro de medição, quadro geral (CPG) e transformador, todos com limites de carga. Ao adicionar consumo significativo na unidade, impacta-se toda a infraestrutura comum.

 

Um veículo isolado dificilmente causará problemas imediatos. Dois ou três, talvez, também não. O risco surge quando a prática se dissemina. Vários carros carregando simultaneamente, podem levar ao desarme de disjuntores e à sobrecarga do sistema.

 

Há ainda um equívoco frequente: utilizar tomadas residenciais convencionais. Enquanto muitas instalações domésticas operam com cabos de 2,5 mm² e 20A, carregadores veiculares geralmente exigem cabos de no mínimo 6 mm² e dimensionamento específico. Sobrecarga contínua gera aquecimento, e aquecimento é risco.

 

Conforme a engenheira eletricista Josany Cardoso, referência na área com experiência em centenas de projetos, instalações de recarga não podem ser tratadas como extensões domésticas. Elas exigem análise técnica de demanda e verificação da capacidade instalada.

 

Em condomínios, a questão é coletiva. O transformador e o centro de medição pertencem ao conjunto. Não é razoável adotar a lógica de “quem chega primeiro instala”. Sem planejamento, alguns utilizam a capacidade disponível e, no futuro, todos arcam com o custo de adequações elétricas, ampliação de carga e substituição de equipamentos.

 

A mobilidade elétrica é irreversível. O desafio não é impedir sua chegada, mas preparar tecnicamente os edifícios para recebê-la com segurança, equilíbrio e visão coletiva.

 

Quando os carros elétricos se tornarem maioria na garagem, não será uma discussão sobre mobilidade, será sobre responsabilidade: vocês planejaram a infraestrutura ou esperaram o primeiro apagão para agir ou primeiro incêndio para apagar?

 

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