Carros elétricos e condomínios: estamos preparados?
- ari tomaz

- Mar 1
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Os veículos elétricos já fazem parte do nosso cotidiano. Modelos da BYD, GWM, Tesla, Geely, Volvo e BMW circulam com naturalidade pelas cidades brasileiras. A transição energética está em curso.
Mas a pergunta essencial é: os condomínios estão preparados para essa nova demanda?
Na maioria dos casos, não.
Instalar um carregador não significa apenas “puxar uma tomada” da unidade. A energia percorre um sistema coletivo: padrão de entrada, centro de medição, quadro geral (CPG) e transformador, todos com limites de carga. Ao adicionar consumo significativo na unidade, impacta-se toda a infraestrutura comum.
Um veículo isolado dificilmente causará problemas imediatos. Dois ou três, talvez, também não. O risco surge quando a prática se dissemina. Vários carros carregando simultaneamente, podem levar ao desarme de disjuntores e à sobrecarga do sistema.
Há ainda um equívoco frequente: utilizar tomadas residenciais convencionais. Enquanto muitas instalações domésticas operam com cabos de 2,5 mm² e 20A, carregadores veiculares geralmente exigem cabos de no mínimo 6 mm² e dimensionamento específico. Sobrecarga contínua gera aquecimento, e aquecimento é risco.
Conforme a engenheira eletricista Josany Cardoso, referência na área com experiência em centenas de projetos, instalações de recarga não podem ser tratadas como extensões domésticas. Elas exigem análise técnica de demanda e verificação da capacidade instalada.
Em condomínios, a questão é coletiva. O transformador e o centro de medição pertencem ao conjunto. Não é razoável adotar a lógica de “quem chega primeiro instala”. Sem planejamento, alguns utilizam a capacidade disponível e, no futuro, todos arcam com o custo de adequações elétricas, ampliação de carga e substituição de equipamentos.
A mobilidade elétrica é irreversível. O desafio não é impedir sua chegada, mas preparar tecnicamente os edifícios para recebê-la com segurança, equilíbrio e visão coletiva.
Quando os carros elétricos se tornarem maioria na garagem, não será uma discussão sobre mobilidade, será sobre responsabilidade: vocês planejaram a infraestrutura ou esperaram o primeiro apagão para agir ou primeiro incêndio para apagar?



