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Combustível: alta de mais de 50% no querosene deve afetar preços e desempenho das empresas

Viajar de avião no Brasil pode se tornar um privilégio ainda maior. A nova pressão sobre os preços das passagens, puxada pelo reajuste do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras, escancara uma fragilidade antiga do setor: qualquer turbulência nos custos rapidamente se traduz em tarifas mais altas para o consumidor.


O gatilho mais recente veio do combustível. A Petrobras anunciou, na última quarta-feira (1º), um aumento de mais de 50% no preço médio do combustível vendido às distribuidoras a partir deste mês, o que impacta diretamente os custos de operação das companhias aéreas. Isso ocorre devido ao avanço do petróleo no mercado internacional, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. É um movimento que foge ao controle das companhias aéreas e pressiona diretamente a operação.


Com isso, os preços das passagens aéreas podem subir até 20%, segundo especialistas, um percentual relevante em um setor já sensível ao preço. Ainda não é possível prever se os repasses serão imediatos ou ocorrerão de forma gradual; o processo depende da ocupação dos voos e da decisão de cada companhia aérea. 


E o efeito não para no preço. É importante falar sobre esse reajuste porque ele pode impactar também na demanda pelas passagens. Quando o preço sobe, a procura tende a cair, sendo que o maior impacto é em viagens de lazer. Os especialistas estimam uma queda de 15% na demanda por passagens devido aos novos custos, o que pode redesenhar o ritmo do setor nos próximos meses.


Não por acaso, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que as consequências para esse ramo devem ser “severas”. A entidade disse que a nova alta, somada ao reajuste de 9,4% aplicado em 1º de março, faz com que o combustível passe a representar 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, percentual que antes superava 30%. 


A explicação é direta: mais de 80% do querosene de aviação consumido no Brasil é produzido aqui no país. Mas os preços seguem a paridade internacional, ou seja, sofrem efeitos das oscilações do barril de petróleo. E é justamente essa dependência que torna o setor tão sensível a choques externos. O preço do barril de petróleo passou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 115 desde o início da guerra no Oriente Médio.


Um dos mecanismos criados para suavizar os efeitos do aumento e talvez conter os preços ao consumidor é um parcelamento dos pagamentos das distribuidoras anunciado pela Petrobras. Em abril, elas pagarão uma alta de 18%, e a diferença será parcelada em seis vezes, a partir de julho, o que dá um fôlego para que o setor se prepare.


Do lado institucional, o governo também avalia outras medidas para reduzir os impactos. O Ministério de Portos e Aeroportos enviou ao Ministério da Fazenda uma proposta com sugestões para reduzir a pressão sobre o setor aéreo e preservar a competitividade das empresas. Uma das medidas é a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação.


No fim das contas, o que se desenha é um setor ainda altamente exposto a variáveis externas e com pouca margem para absorver choques de custo. Enquanto o preço do petróleo seguir pressionado e o combustível mantiver esse peso elevado na operação, o movimento tende a ser o mesmo: passagens mais caras, demanda mais seletiva e um mercado que avança, mas com limites para crescer.


Elisa Vaz é jornalista graduada na UFPA, tem anos de experiência em cobertura política e econômica e formação em Economia pela Fipe.


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