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Diretor da Plancon revela em entrevista qual é o maior 'entrave' da construção civil em Belém

Em entrevista inédita para o programa 'Negócios à Parte' da Exper News, o executivo da Plancon Engenharia fala sobre os principais obstáculos para o desenvolvimento da construção civil em Belém do Pará


José Osvaldo sabado Plancon engenharia

O setor da construção civil no Pará vive um momento de expansão, mas esbarra em um obstáculo invisível que molda — e limita — a paisagem urbana da capital: o Plano Diretor de Belém. Em entrevista ao programa 'Negócios à Parte, com Bel Soares', José Osvaldo Sabado, CEO da Plancon Engenharia, apontou que a legislação urbanística de Belém é, hoje, o maior desafio para o desenvolvimento imobiliário e econômico da região.


Para o executivo, que atua como Diretor de Relações Comerciais da ADEMI PA (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário) e Conselheiro Setorial da Construção Civil da Núcleo Negócios, as diretrizes atuais impedem que a cidade aproveite seu maior potencial geográfico, resultando em um crescimento desigual e na super valorização de áreas nobres.


A principal crítica de Sabado recai sobre o isolamento da capital em relação aos seus rios. Segundo ele, a legislação impede que a cidade "abrace" a água, algo comum em outras metrópoles brasileiras, como Fortaleza, Rio de Janeiro e Florianópolis.


"Belém, hoje, é a única cidade do Brasil e talvez do mundo, pelo menos das que eu conheça, que a parte mais pobre da cidade é na orla da cidade. Se vocês tentarem lembrar qual cidade tem uma orla pobre, que não tem prédios construídos, que não tem grandes avenidas construídas na orla, é Belém. Isso é um entrave muito grande pra constição civil aqui na cidade de Belém, pra construição civil se desenvolver. Você fica com um miolo muito sobrecarregado de edificações e uma orla livre, porque o plano diretor urbano, que é muito defasado, não permite construção nessas áreas.", afirmou o executivo durante entrevista.

O resultado desse modelo, segundo ele, é um adensamento excessivo em bairros centrais como Batista Campos e Nazaré, enquanto as margens da cidade sofrem com a falta de infraestrutura e investimentos privados.


Assista a entrevista na íntegra:



A Pressão Empresarial por Mudança


O meio empresarial paraense, liderado por entidades a ADEMI, tem intensificado o diálogo com o poder público para revisar as normas vigentes. O argumento é que um Plano Diretor moderno não apenas destravaria investimentos bilionários, mas também permitiria uma verticalização organizada e a criação de novos eixos viários.


As tentativas de atualização buscam:


  • Aproveitamento da Orla: Incentivar projetos de uso misto (residencial e comercial) voltados para o rio.

  • Descentralização: Estimular a construção em áreas periféricas que hoje possuem restrições severas de gabarito (altura dos prédios).

  • Modernização Viária: Criar contrapartidas que obriguem o desenvolvimento de novas avenidas em troca do direito de construir.


O Futuro em Jogo


A discussão ganha urgência com a proximidade de grandes eventos internacionais na capital. Para os líderes do setor, sem uma reforma nas "regras do jogo" urbanístico, Belém corre o risco de continuar sufocada em seu centro histórico, desperdiçando a oportunidade de se tornar uma referência em urbanismo sustentável e moderno na Amazônia.


E se Belém valorizar a orla?


A revisão do Plano Diretor de Belém, discutida por lideranças como José Osvaldo Sabado (Plancon), foca em destravar áreas que hoje possuem restrições severas de construção, o que transformaria radicalmente a configuração da cidade.


Se as propostas do setor imobiliário e as discussões atuais de revisão avançarem, os seguintes bairros e zonas seriam os mais impactados:


1. A Nova Orla (Reduto, Telégrafo e Barreiro)


Atualmente, Belém possui uma "orla pobre" ou subutilizada devido a proibições de edificações de grande porte nessas margens.


A liberação de gabaritos (altura dos prédios) permitiria a criação de um "skyline" voltado para a Baía do Guajará, integrando moradia de alto padrão com áreas de lazer.


Bairros como o Reduto e Telégrafo poderiam ver antigos galpões e áreas subutilizadas darem lugar a condomínios de luxo e complexos de uso misto, seguindo o exemplo de revitalizações como o Porto Futuro II.


2. Bairros "Saturados" (Batista Campos e Nazaré)


Estes bairros concentram o adensamento atual, pois são áreas onde a infraestrutura já está consolidada.


Com o plano diretor atual, essas áreas estão "abarrotadas". Uma atualização poderia permitir outorgas onerosas (pagar para construir além do limite básico) de forma mais inteligente, financiando melhorias viárias no próprio entorno.


Estratégia da Plancon: A Plancon Engenharia utiliza Batista Campos como seu principal hub de lançamentos luxuosos, como o JN Residenza, mas a falta de novas frentes de expansão encarece drasticamente o m² nessas zonas.


3. Eixos de Expansão (Augusto Montenegro e BR-316)


Embora já recebam muitos empreendimentos, o crescimento é desordenado e carece de verticalização qualificada e serviços.


O novo plano discute o adensamento responsável em áreas com serviços públicos instalados.


Bairros como Parque Verde, Benguí e Marambaia poderiam receber prédios mais altos e infraestrutura de saneamento integrada, reduzindo a dependência do centro histórico.


4. Áreas de Macrodrenagem (Bacia da Estrada Nova e Tucunduba)


Grandes obras para a COP 30 estão saneando canais nestas regiões.


Bairros como Guamá, Terra Firme e Jurunas poderiam passar por um processo de valorização imobiliária (gentrificação) após a conclusão dos parques lineares e sistemas de drenagem, atraindo o interesse de construtoras para novos perfis de moradia.


O debate central na Câmara Municipal de Belém e nas oficinas do Plano Diretor é como equilibrar essa pressão por verticalização com a preservação do patrimônio histórico e a resiliência contra as mudanças climáticas (inundações e marés).


Saiba mais sobre o programa 'Negócios à Parte, com Bel Soares'. Assista essa e outras entrevistas neste link. Novos episódios toda segunda, 19 horas.

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