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Gasolina mais cara puxa inflação e coloca Belém no topo das altas no país

A inflação voltou a dar sinais de pressão em março e, mais uma vez, o brasileiro sentiu  isso direto na bomba de combustível. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), subiu 0,88%, acima do esperado pelo mercado.


O principal impacto veio do grupo de transportes, que teve elevação de 1,64%, puxado pela disparada dos combustíveis (+4,47%). O óleo diesel avançou 13,90% no mês, enquanto a gasolina ficou 4,59% mais cara.


Esse movimento não acontece por acaso. A escalada recente do conflito no Irã pressionou o mercado internacional de petróleo, enquanto, no cenário doméstico, a Petrobras também promoveu reajustes nas últimas semanas - uma combinação que costuma chegar rápido ao consumidor.


Para dimensionar o peso dos combustíveis: sem a alta da gasolina, o IPCA de março teria sido de 0,68%. Se todos os combustíveis fossem retirados da conta, cairia ainda mais, para 0,64%.


E em Belém, a pressão foi ainda maior. Entre as cidades pesquisadas, Salvador liderou a alta (1,47%), seguida por Belém (1,31%) e Recife (1,10%). Na capital paraense, o grupo de transportes subiu 2,74%, acima da média nacional. Já os combustíveis tiveram alta mais intensa: 7,31% no mês, com a gasolina avançando 7,28% e o diesel, 7,93%.


Alimentação


A pressão não veio só dos combustíveis. A alimentação também pesou no orçamento em Belém, com aumentos expressivos em itens do dia a dia. A cenoura disparou 26,42%, o feijão carioca subiu 25,43% e produtos básicos como legumes (15,25%), tomate (15,06%) e açaí (13,29%) também registraram altas relevantes ao longo do mês.


No cenário nacional, o movimento foi semelhante: alimentos in natura voltaram a pressionar o índice, com destaque para cenoura (28,08%), abobrinha (23,56%), tomate (20,31%), cebola (17,25%) e legumes (16,78%), além do feijão carioca (15,40%), batata doce (13,41%) e outros - itens que têm impacto direto no custo de vida.


Apesar da alta, o índice ainda permanece dentro da margem de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 3% em 2026, com teto de 4,5%.


Ainda assim, o resultado de março acende um sinal de atenção, principalmente porque mostra como fatores externos e combustíveis seguem sendo peças-chave na dinâmica da inflação no país.


A combinação de pressão internacional no petróleo e reajustes internos ressalta que o caminho até uma inflação mais controlada segue sujeito a fatores que fogem do radar doméstico e que, quase sempre, chegam logo ao nosso bolso.


Confira os resultados por região:


Inflação em março (IPCA)


Brasil: 0,88%

Salvador: 1,47%

Belém: 1,31%

Recife: 1,10%

Porto Alegre: 0,96%

Belo Horizonte: 0,93%

Campo Grande: 0,93%

Aracaju: 0,92%

Brasília: 0,85%

Fortaleza: 0,81%

Rio de Janeiro: 0,78%

São Paulo: 0,78%

Grande Vitória: 0,72%

Curitiba: 0,70%

Goiânia: 0,40%

São Luís: 0,39%

Rio Branco: 0,37%


Fonte: IBGE


Elisa Vaz é jornalista graduada na UFPA, tem anos de experiência em cobertura política e econômica e formação em Economia pela Fipe.

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