GPA entra em recuperação extrajudicial de R$ 4,5 bilhões; mercado reage
- Redação

- 10 de mar.
- 2 min de leitura

O Grupo GPA, proprietário das redes Extra e Pão de Açúcar, informou ter firmado um acordo de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas. O anúncio, feito por meio de um fato relevante nesta terça-feira, dia 10, estabelece um prazo de 90 dias para que um acordo definitivo seja formalizado com os credores.
Após a divulgação da notícia, as ações do GPA registraram uma queda de 8,79% por volta das 10h30.
A empresa esclareceu que o processo de reestruturação não afeta seus fornecedores, clientes ou funcionários, e que as atividades operacionais das lojas continuarão normalmente. A maior parte do endividamento mencionado refere-se a credores financeiros não operacionais, como bancos e outras instituições financeiras.
O plano de recuperação contou com a aprovação de 46% dos credores sujeitos ao processo, correspondendo a R$ 2,1 bilhões em dívidas, superando o quórum mínimo exigido legalmente de um terço para esta modalidade de acordo.
A companhia expressou confiança na obtenção do apoio da maioria dos credores envolvidos no processo e está otimista em alcançar uma solução estruturada que resolva tanto os desafios de liquidez no curto prazo quanto a sustentabilidade financeira no longo prazo, conforme destacado no comunicado oficial.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, comparou a atual situação do GPA à enfrentada pelas Casas Bahia em 2024. Segundo ele, o alto nível de endividamento pressionou a empresa, especialmente em relação ao prazo das dívidas. "A solução encontrada foi alongar o pagamento, oferecendo mais fôlego para a operação e permitindo que a companhia recupere seu equilíbrio financeiro", analisou.
No balanço financeiro mais recente do GPA, já havia um alerta sobre "incertezas relevantes que podem levantar dúvidas significativas a respeito da continuidade operacional da empresa". Durante uma teleconferência sobre os resultados, o então presidente-executivo destacou a necessidade de mudanças estruturais e culturais, reforçando o foco na gestão do endividamento.
No quarto trimestre do ano passado, o grupo reportou um prejuízo líquido consolidado de R$ 572 milhões, uma redução de 48,2% em relação ao déficit de R$ 1,1 bilhão no mesmo período do ano anterior. Apesar dessas melhorias nos indicadores operacionais e de uma geração positiva de caixa recorrente, a empresa continuou registrando prejuízos no período.
Essas dificuldades financeiras recorrentes resultaram em várias mudanças na alta direção da companhia. Em agosto do ano passado, o Grupo Coelho Diniz adquiriu 24,6% das ações do GPA, tornando-se o principal acionista. Já o francês Casino, antigo controlador majoritário, manteve uma participação de 22,5%. Em outubro, André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho administrativo. Posteriormente, Marcelo Pimentel renunciou ao cargo de presidente-executivo após ocupar a posição desde 2022. No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi nomeado diretor-presidente do grupo.
Ainda segundo Gustavo Cruz, da RB Investimentos, mudanças adicionais na estrutura acionária da empresa são uma possibilidade. Ele avalia que um eventual ingresso de novos investidores ou aquisição por outros operadores não pode ser descartado. “O varejo alimentar propicia esse tipo de oportunidade estratégica devido à ampla presença física e à relevância econômica dessas operações em mercados importantes”, concluiu.



