Juros no maior nível em quase duas décadas impulsionam aumento do endividamento no Pará
- Elisa Vaz

- Feb 15
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Na coluna de estreia aqui na Exper, falei sobre a Selic, a taxa básica de juros do Brasil. Hoje em torno de 15% ao ano, mantida na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC), ela está no maior patamar em quase duas décadas. Em julho de 2006, no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Selic chegou a 15,25% ao ano - de lá para cá, esse patamar não havia sido registrado até agora.
Resultado disso, o endividamento e a inadimplência chegaram a níveis recordes, mesmo com o desemprego em uma baixa histórica. No Pará, esse movimento também se repetiu. Segundo a Federação de Comércio do Pará (Fecomércio-PA), o percentual de endividados chegou a 79,5% no Estado em janeiro, uma alta de 10,1 pontos percentuais frente ao resultado de janeiro de 2025, quando o índice estava em 69,4%.
Já em relação aos inadimplentes, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Fecomércio-PA apontou uma taxa de 29,3% no mês passado, contra 20,3% em janeiro de 2025, ou seja, um acréscimo de 9 pontos percentuais. Endividado é aquele que possui dívidas, ainda que estejam em dia, como financiamentos ou parcelas de cartão de crédito, enquanto inadimplente é quem tem dívidas já vencidas a pagar.
Especialistas do setor avaliam que o aumento da inadimplência está diretamente ligado ao ciclo de alta da Selic, que já ocorre há um ano e meio. Com isso, os prazos para quitar empréstimos encurtaram e os bancos passaram a cobrar mais pelo crédito.
E é com o cartão de crédito o maior número de dívidas no Pará. O percentual chega a 90,4% em janeiro de 2026, ante 84,4% em 2025. Depois, aparecem carnês (21,8%), crédito consignado (10,4%), financiamento de carro (8,7%) e de casa (3,6%), crédito pessoal (2,6%), cheque especial (1,3%) e outras dívidas (1,6%).
Por um lado, a alta da Selic tem efeito positivo, porque sua função é controlar a inflação no Brasil - meta que foi atingida com sucesso no ano passado. Por outro, pode causar dificuldades financeiras para as famílias e para os empresários, já que ela norteia todas as demais taxas do mercado, como financiamentos e empréstimos.
O Copom já sinalizou o início dos cortes a partir da próxima reunião, prevista para março, especialmente com um controle maior da inflação até lá. Para o final de 2026, a aposta é de que a taxa caia para 11% ou 12%. Ainda é um juro alto e mostra a força contracionista do Banco Central, mas já é suficiente para mudar decisões de consumo, crédito e investimento no país.
O cenário aponta para um alívio gradual, mas não imediato. Para famílias e empresas, o momento ainda exige cautela na tomada de crédito e maior planejamento financeiro. Afinal, mesmo com a expectativa de queda dos juros, o custo do dinheiro seguirá elevado e continuará influenciando decisões de consumo, investimento e crescimento econômico ao longo dos próximos meses.
Elisa Vaz é jornalista graduada na UFPA, tem anos de experiência em cobertura política e econômica e formação em Economia pela Fipe.



