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GEEK: Como a franquia Pokémon se tornou a marca de mídia mais lucrativa do mundo

Pokémon

Lançada em 1996 pela Nintendo, a franquia Pokémon evoluiu para se tornar um dos maiores fenômenos culturais da história. Atualmente, é considerada a marca de mídia mais lucrativa do planeta, acumulando receitas que variam entre US$ 115 bilhões e US$ 147 bilhões.


O jogo de cartas colecionáveis (TCG) é um dos alicerces desse gigantesco sucesso. Com mais de 75 bilhões de cartas vendidas globalmente, algumas delas alcançam valores comparáveis a obras de arte.


Um dos casos mais icônicos é o da carta Pikachu Illustrator, vista como o “Santo Graal” pelos colecionadores. Esse item único foi vendido em um leilão da Goldin Auctions em fevereiro de 2026 por impressionantes US$ 16,5 milhões, após uma intensa disputa que durou 41 dias.


O cartão era de propriedade de Logan Paul, influenciador digital e lutador, que havia adquirido a peça em 2021 por US$ 5,275 milhões, um valor que já era recorde para um card de Pokémon na época. Com essa última transação, foi conquistado um marco ainda mais significativo: segundo o Guinness World Records, trata-se da carta colecionável mais cara já leiloada na história, superando qualquer outro item similar.


De item para fãs a uma joia de luxo


Criada em 1998 pela artista Atsuko Nishida, a carta Pikachu Illustrator foi originalmente oferecida como prêmio em um concurso no Japão. Atualmente, estima-se que existam apenas algumas dezenas dessas cartas em todo o mundo.


O diferencial da unidade comprada por Logan Paul está em sua excepcional raridade. Avaliada com a nota máxima de conservação (PSA 10), acredita-se que seja possivelmente o único exemplar em estado perfeito.


Além de seu valor como raridade, Logan Paul foi fundamental para transformá-la em um verdadeiro ícone pop. Ele chegou a usar a carta como um pingente adornado com diamantes durante sua entrada na WrestleMania 38, o que aumentou significativamente sua visibilidade global.


Essa transação reforça a transformação das cartas colecionáveis em ativos valiosos, alinhando-se ao status de objetos de luxo e obras de arte refinadas.


O impacto da pandemia e a nova geração de investidores


O mercado de cartões ganhou grande impulso durante a pandemia. O aumento do tempo em casa e os estímulos financeiros governamentais deram espaço para que muitos revissem hobbies antigos e explorassem novos interesses.


Isso fomentou o surgimento de uma nova geração de investidores, muitos deles jovens, que passaram a encarar os cards como um investimento potencialmente lucrativo, além de um passatempo.


Celebridades e influenciadores tiveram um papel crucial nessa popularização. Logan Paul, por exemplo, ajudou a transformar o mercado em uma febre global ao exibir publicamente suas raridades em eventos e redes sociais.


O mercado secundário dita o ritmo


Embora a Pokémon Company continue lançando novas coleções regularmente, a maior parte das transações ocorre no mercado secundário. Plataformas como eBay, TCGplayer, redes sociais e feiras especializadas concentram grande parte das negociações entre os colecionadores.


Nesse ambiente, os preços das cartas variam consideravelmente de acordo com fatores como:


  • Raridade

  • Estado de conservação

  • Avaliações por empresas autenticadoras

  • Demanda entre os colecionadores


Um card em estado perfeito pode alcançar valores milionários, enquanto defeitos podem reduzir drasticamente seu preço.


Investimento ou risco?


Por mais atrativos que os lucros sejam, especialistas apontam diversos riscos no mercado.


A ausência de uma padronização rigorosa nos preços, a volatilidade do mercado e o impacto do comportamento emocional dos compradores elevam o nível de imprevisibilidade. O Wall Street Journal compara essa dinâmica à bolha das cartas de beisebol nos anos 1980, quando a superprodução causou uma brusca queda nos valores.


Outro ponto delicado são as falsificações, que se multiplicam à medida que os valores se tornam mais elevados.


Nostalgia como motor financeiro


Diferentemente de ações ou commodities tradicionais, os cards Pokémon possuem um grande apelo emocional. Para muitos compradores, o valor vai além da raridade; é uma conexão afetiva com memórias da infância.


Esse elemento emocional pode tornar decisões de investimento mais irracionais ao mesmo tempo em que sustenta altos preços. Esse fenômeno reflete uma tendência maior: a ascensão dos chamados “investimentos emocionais”, que incluem desde tênis exclusivos até relógios de luxo e outros itens da cultura pop.


Nesse universo peculiar, o valor financeiro anda lado a lado com histórias pessoais.


Um império que ultrapassa os limites das cartas.


O sucesso dos cards é apenas uma parcela do vasto ecossistema construído por Pokémon.


A marca movimenta bilhões em diversas áreas:


  • 12 bilhões de dólares previstos em merchandising para 2024

  • Mais de 480 milhões de jogos vendidos ao longo dos anos

  • Bilhões gerados por produtos licenciados

  • Produções cinematográficas como Detective Pikachu, que arrecadou 430 milhões de dólares em bilheteria


A estratégia da franquia é fundamentada na integração entre entretenimento, produtos físicos e experiências imersivas, criando um ciclo de consumo que se renova constantemente.


Da tela para o mundo real


O crescimento da marca também está se manifestando em iniciativas no mundo físico.


Em Londres, uma exposição temática no Museu de História Natural teve seus 105 mil ingressos esgotados em menos de cinco horas. No Japão, o recém-inaugurado PokéPark Kanto, o primeiro parque temático permanente da franquia, já atrai multidões com filas extensas e procura crescente.


A ambição da marca vai além do simples entretenimento: é sobre transformar sua propriedade intelectual em um motor de turismo, consumo e geração de receita.


Embora os cards de Pokémon possam oferecer retornos financeiros significativos, eles também são acompanhados por altos níveis de risco. Especialistas sugerem que esses itens sejam considerados investimentos alternativos, complementares e não substitutivos para carteiras tradicionais.


Ainda assim, para inúmeros fãs, o retorno financeiro não é a prioridade.


Mais do que um investimento, trata-se de algo difícil de mensurar: o valor emocional de reviver memórias da infância e, quem sabe, colher frutos desse nostálgico prazer no futuro.

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