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Mineradora australiana quer investir R$ 285 milhões no Amazonas para exploração de terras raras

A empresa australiana BCM planeja investir R$ 285 milhões na exploração de terras raras em Apuí, no Amazonas, a partir de 2027. O diretor-executivo da companhia, Andrew Reid, destacou que a principal meta deste ano é garantir as licenças ambientais necessárias para o projeto.


A mineradora já está em negociação para firmar contratos de offtake, que envolvem a compra e venda antecipada da produção, com empresas do Canadá, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, França e Malásia.


De acordo com uma reportagem publicada pelo Valor na última quarta-feira (18), o projeto da BCM está entre sete iniciativas em estágio pré-operacional no Brasil. Juntos, esses projetos representam investimentos que totalizam R$ 13,2 bilhões.


A BCM ressalta que há um interesse internacional crescente em projetos de extração de terras raras no Brasil. Isso se deve ao fato de o país possuir a segunda maior reserva mundial desses elementos estratégicos, ficando atrás apenas da China.


O interesse de investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros, está concentrado principalmente em estados como Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Essas áreas possuem potenciais significativos para a exploração de terras raras, elementos-chave para setores como transição energética, tecnologia e defesa.


Especialistas apontam que o avanço dos projetos no Brasil pode colaborar para reduzir a dependência dos países ocidentais em relação às terras raras provenientes da China. Atualmente, o país asiático é responsável por 69% da produção global e 91% do refino desses materiais.


O grupo das terras raras é composto por 17 metais, como lantânio, samário, térbio e lutécio. Embora sejam encontrados em várias partes do mundo, os processos de extração e refino apresentam altos custos e elevada complexidade técnica.


Apesar do potencial atrativo dos projetos brasileiros, ainda há desafios significativos para que os investimentos previstos se concretizem. Entre os principais entraves estão:


  • A complexidade e morosidade dos processos de licenciamento ambiental;

  • A ausência de contratos de offtake previamente assegurados;

  • A insegurança jurídica e a falta de políticas nacionais integradas voltadas para minerais críticos;

  • As dificuldades de acesso ao crédito, especialmente por parte de empresas juniores que buscam financiamento no exterior.

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