top of page

Novas medidas fiscais, queda nos juros e eleição: o que esperar da economia em 2026

O ano começa com um paradoxo interessante para a economia brasileira: crescimento mais lento, juros em queda e um mercado atento - e tenso - com o calendário eleitoral. 


Após o resultado estável no crescimento econômico, inflação baixa e bom controle da política monetária em 2025, os economistas esperam que os próximos meses sejam positivos do ponto de vista econômico - pelo menos no primeiro semestre, já que as eleições podem afetar, e muito, o mercado.


Para fazer um apanhado dos últimos índices, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, no início de dezembro, o resultado do terceiro trimestre do Produto Interno Bruto (PIB) do país, ou seja, a soma de todas as riquezas produzidas. De julho a setembro, houve um crescimento tímido de 0,1%, o que comprova a desaceleração da economia. A previsão é de que o Brasil feche 2025 com uma alta de 2,2% no PIB, contra os 3,4% registrados em 2024.


O mercado já via esse freio no radar e, curiosamente, ele é interpretado como parte da solução, e não como um problema. Com a economia desaquecida, significa que a política monetária está cumprindo seu papel. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a Selic elevada ao longo do ano justamente para controlar a inflação.


Resultado dessa manobra, a inflação de 2025 deve se manter próxima dos 4,41% alcançados na prévia de dezembro, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA 15) no balanço dos últimos 12 meses. Ou seja, dentro do teto da meta estabelecido para o período e um resultado bem positivo se considerarmos que a expectativa do mercado era de que o índice chegasse até 6%. 


O número pavimenta a já esperada queda na Selic no início do ano - a próxima reunião do Copom está marcada para 27 e 28 de janeiro. Até o final de 2026, a aposta é de que a taxa caia para 11% ou 12%. Ainda é um juro alto e mostra a força contracionista do Banco Central, mas já é suficiente para mudar decisões de consumo, crédito e investimento no país.


2026 é um ano decisivo para o mercado, e diversas medidas econômicas e tributárias passarão a valer já em janeiro. Uma delas é a isenção no pagamento do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, proposta aprovada em novembro e que deve impactar mais de 15 milhões de contribuintes. A medida, no entanto, preocupa os mais ricos e os empresários, em um mercado que urge por confiança fiscal.


O texto instituiu o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), aplicável às altas rendas, com uma alíquota progressiva que incide sobre rendimentos anuais acima de R$ 600 mil, podendo ultrapassar os 10% para aqueles que ganharem mais de R$ 1,2 milhão. E a lei também inclui lucros e dividendos recebidos por pessoas físicas.


Também começa agora a transição para o novo modelo de tributação sobre o consumo, medida imposta pela Reforma Tributária. Embora a alteração completa do sistema só ocorra em 2033, é em 2026 que começam os primeiros passos para definitivamente excluir os atuais Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), estadual, e Imposto sobre Serviços (ISS), municipal.


Eles darão espaço para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, que se desdobra na Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e no Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), partilhado entre estados, Distrito Federal e municípios; e o Imposto Seletivo. É ano de teste, não de resultado.


Não podemos esquecer também que, em 2026, teremos a disputa pelo maior cargo do Poder Executivo: a Presidência da República. As decisões políticas e eleitorais têm grande influência sobre o mercado e todo o cenário de estabilidade que vemos hoje pode ir por água abaixo a depender da corrida marcada para o segundo semestre. 


Todas essas mudanças ocorrem enquanto o mercado tenta responder a uma mesma pergunta: haverá previsibilidade suficiente no ano eleitoral? Até outubro, o mercado seguirá fazendo o que sabe: reagir rápido aos sinais. Mais do que nunca, economia e eleição caminharão lado a lado.

nucleo-eventos.png

Você no centro das negociações

Conheça a Núcleo. Conecte-se com empresários que faturam acima de R$ 10 milhões por ano.

bottom of page