O que o recorde da maratona ensina para quem está começando
- ari tomaz

- há 3 dias
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Nas últimas semanas, o mundo da corrida voltou os olhos para a impressionante marca do queniano Sabastian Sawe ao completar a Maratona de Londres abaixo das duas horas. Um feito que parece impossível para quem já correu, ou até tentou correr alguns poucos quilômetros.
Quando um recorde assim acontece, a primeira reação costuma ser apontar para os famosos tênis com placa de carbono. E sim, eles mudaram o esporte. As espumas ficaram mais eficientes, os calçados mais responsivos e a tecnologia avançou tanto que as próprias organizações precisaram criar limites para evitar vantagens excessivas. Mas existe um detalhe importante: hoje praticamente todas as grandes marcas possuem super tênis de altíssimo nível. O recorde não nasceu apenas no equipamento.
A maior revolução da maratona talvez tenha acontecido dentro do corpo humano.
Os estudos mais recentes mostram que o desafio já não é somente correr rápido, mas conseguir sustentar energia durante mais de 42km sem que o organismo entre em colapso. Antes da prova, Sawe fez um café da manhã simples: pão, mel e chá. O diferencial veio durante a corrida. Estima-se que ele tenha consumido cerca de 115 gramas de carboidrato por hora, uma quantidade altíssima para o organismo absorver durante a prova.
E aí entra algo curioso: hoje muitos atletas treinam não apenas músculos e pulmões, mas também o intestino. O corpo precisa aprender a absorver grandes quantidades de carboidrato sem causar desconforto gástrico. O treinamento começou com cerca de 40g por hora e foi evoluindo gradualmente ao longo da preparação. Em alguns treinos longos, pesquisadores chegaram a rastrear isótopos de carbono na alimentação e medir o CO₂ exalado para entender exatamente quanto daquela energia realmente estava sendo absorvida e utilizada pelo organismo.
Isso mostra o nível de detalhe que a maratona moderna alcançou. Hoje já se sabe que o corpo absorve melhor diferentes tipos de carboidratos combinados, como glicose, frutose e maltodextrina, especialmente quando diluídos corretamente em água. Em outras palavras: muitos atletas treinam pernas, pulmões e coração, mas esquecem de treinar o sistema gastrointestinal. E talvez o grande limitante atual da maratona já não seja mais muscular ou cardiovascular, mas a capacidade do organismo de continuar recebendo energia em alta velocidade sem falhar.
Mas no meio de tanta tecnologia, existe algo que continua insubstituível: treino.
Pouco se falou sobre o volume semanal de Sawe, estimado entre 200 e 240km por semana. São anos acumulando rotina, intensidade, recuperação, sono, alimentação e repetição. Não existe atalho. O recorde é resultado de milhares de quilômetros invisíveis que ninguém vê.
E talvez essa seja justamente a parte mais inspiradora para quem está começando a correr agora.
No início, correr costuma ser desconfortável. Falta ar, sobra cansaço e a evolução parece lenta. Mas, aos poucos, algo muda. O corpo responde, o condicionamento melhora, o sono fica melhor, a mente desacelera e aquela sensação de bem-estar começa a aparecer. Porém, precisa de cuidado: nosso sistema cardiovascular evolui mais rápido que tendões e articulações. Muitas vezes a cabeça quer acelerar antes de o corpo estar preparado, e é aí que surgem as lesões.
Com o tempo, fortalecimento muscular, orientação profissional e diferentes estímulos de treino passam a fazer diferença. Treinos de VO2 máximo, limiar de lactato, regenerativos e longões possuem funções diferentes dentro da evolução de um corredor. E isso exige conhecimento e experiência.
Hoje existem diversas assessorias, presenciais e online, como: CL, MNHT, Lobo, MPR e HF, que ajudam desde quem está começando até atletas experientes. E talvez esse seja um dos pontos mais interessantes da corrida hoje: você pode escolher correr sozinho, no seu ritmo, ou compartilhar treinos, provas e evolução com outras pessoas. A corrida acaba criando comunidade, amizades e um processo muito mais leve.
E não é preciso começar com o melhor tênis ou a roupa mais cara. Isso vem depois, naturalmente, conforme a necessidade aparece e a experiência aumenta.
Porque, no fim, antes do super tênis, existe o super processo.



